- Huberta, um hipopótamo que ficou famosa na África do Sul, foi avistada pela primeira vez em 1928, numa plantação de cana, em New Guelderland, Natal.
- O animal viajou por centenas de quilômetros pela costa sudeste do país, atraindo multidões e sendo perseguido por fotógrafos e curiosos.
- Em 1931, Huberta foi morta por fazendeiros locais, após décadas de fama como mascote e símbolo popular.
- A pele e os ossos foram enviados ao Reino Unido para taxidermia, e Huberta ganhou vida nova como Huberta, a principal atração do Museu Kaffarian (hoje Amathole Museum) em King William’s Town, atual Qonce.
- A história gerou uma imagem de ecoturismo e de “animal nacional”, mas também é usada para discutir as vias coloniais e segregacionistas do Apartheid e o papel do turismo na África do Sul.
Huberta, a hipopótama que conquistou a África do Sul, tornou-se símbolo do turismo elitista no país. A trajetória foi contada por meio de uma biografia construída após sua morte, refletindo temas sociais e históricos.
Em 1928, em New Guelderland, Natal, fazendeiros avistaram o animal em uma plantação de cana. O jornal local publicou a foto, e Hubert percorreu centenas de quilômetros pela costa do que era a União da África do Sul.
Ao longo de três anos, o hipopótamo ganhou rasgos de personalidade nas páginas dos jornais, atraindo multidões. Não houve registro de agressividade; o animal era visto como astuto e aventureiro, não como ameaça.
Em 1931, Hubert esteve perto de King William, hoje Qonce, no Rio Keiskamma. Embora protegido, acabou morto por fazendeiros locais, gerando comoção pública e processo com multa para os responsáveis.
Após a morte, a pele e os ossos foram enviados ao Reino Unido para taxidermia. Hubert virou Huberta, com uma biografia reimaginada para encantar museus e leitores, mantendo a vida como ficção histórica.
Huberta passou a ser principal atração do Museu Kaffarian, em King William (atual Qonce), em 1932. A história inspirou dezenas de livros infantis e juvenis, que preencheram lacunas com fantasia.
Desde os anos 2000, Huberta também é símbolo do ecoturismo na Baía Richards, em KwaZulu-Natal. Historiadores apontam que a narrativa ajudou a moldar a ideia de conservação, mas com leitura crítica sobre o apartheid.
A reimaginação do animal confronta questões sobre colonialismo e segregação. O museu, antes chamado Kaffrarian, passou a se chamar Amathole; King William’s Town hoje é Qonce.
Especialistas destacam que o turismo de safáris na África do Sul permanece fortemente marcado por elites brancas, refletindo o chamado apartheid verde. O debate envolve memória, turismo e identidade nacional.
O caso de Huberta evidencia como narrativas históricas podem influenciar políticas de preservação e turismo, ao mesmo tempo em que revelam tensões sociais do período colonial e do apartheid. Fatos e leitura crítica caminham juntos para entender o legado.
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