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Crimes com armas cortam atendimento de saúde dos mais pobres na África do Sul

Extorsões a clínicas em comunidades pobres da África do Sul interrompem atendimentos e agravam a crise de HIV e tuberculose, ampliando desertos médicos

Khayelitsha hospital in Cape Town. Medical staff have been the target of several robberies and extortion attempts in recent years.
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  • Três atiradores chegaram na clínica Town Two, em Khayelitsha, Cidade do Cabo, pedindo uma taxa de proteção à empresa de segurança; pacientes e profissionais fugiram em meio ao pânico.
  • O episódio não é isolado: extensões de extorsão e roubos contra unidades de saúde em áreas pobres vêm aumentando nos últimos anos no país.
  • Grupos de trabalhadores da saúde e pacientes dizem que muitos casos não são denunciados e que não há dados oficiais completos sobre o crime contra serviços de saúde.
  • O ataque agrava a dificuldade de acesso a medicamentos, principalmente para gestantes com HIV e pacientes com TB, que dependem de atendimento em clínicas locais.
  • Autoridades afirmam que investigam o grupo de extorsão na região e que operações de inteligência estão em andamento para garantir o funcionamento dos serviços de saúde.

Khayelitsha, Cape Town – Em uma clínica do Town Two, três homens armados chegaram cerca de 10 minutos após a chegada dos guardas na madrugada. Ensaiaram coerção contra a equipe de segurança e exigiram uma taxa de proteção à empresa que emprega os vigilantes. Os pacientes fugiram aterrorizados, e as enfermeiras tiveram que se esconder.

O ataque marcou a mais recente onda de extorsões contra unidades de saúde em áreas pobres da África do Sul. Em Khayelitsha, pacientes relatam que saques e assaltos em frente a postos de saúde vêm se tornando frequentes, com criminosos exigindo pagamentos para passagem segura.

Town Two não é o único caso. Ao longo dos últimos anos, relatos de violência, extorsão e roubos contra profissionais de saúde e usuários de clínicas surgem em várias cidades, incluindo Joanesburgo e Port Elizabeth, segundo ativistas locais.

Contexto da violência contra serviços de saúde

A ausência de dados oficiais sobre crimes contra saúde dificulta medir o alcance do problema, mas organizações de enfermagem e de saúde vêm alertando sobre o aumento dos incidentes. Analistas destacam que o alvo principal são os pacientes mais pobres.

Uma moradora de Khayelitsha, grávida e dependente de medicamentos antirretrovirais, disse que a clínica ficou fechada por dias, agravando dificuldades de acesso a tratamentos e a necessidade de deslocamentos para hospitais mais distantes.

Especialistas dizem que ataques podem provocar desertificação médica nas zonas mais vulneráveis, com profissionais de saúde receando trabalhar em áreas de maior risco. A criminalidade também é associada a redes de extorsão que atuam na região.

O governo local afirma tratar o caso com seriedade, com investigações em andamento para identificar o grupo extorsor. Autoridades ressaltam que operações de inteligência vêm gerando resultados positivos, sem divulgar números específicos devido à investigação em curso.

Entidades sugerem que, para enfrentar o problema, é necessário ampliar a proteção às unidades de saúde e favorecer denúncias, apesar de riscos à segurança dos informantes. O tema permanece como prioridade de segurança pública na Western Cape.

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