- A TV 3.0, ou DTV+, avança no Brasil em fase experimental, oferecendo transmissão em 4K e, no futuro, 8K, além de áudio imersivo MPEG-H.
- Globo e EBC lideram a implementação: a Globo já opera estações técnico-experimentais e pretende ampliar para até quinze regiões metropolitanas até 2030; a EBC lança a Plataforma Comum com Gov.br, SUS Digital e outros serviços públicos.
- O modelo integra radiodifusão com banda larga, com interface em que canais aparecem como ícones na TV, em tablets e em smartphones; não haverá Cloud DVR no momento, priorizando a experiência ao vivo.
- Acesse em caráter experimental já nas praças de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, com planos de expansão e testes adicionais durante eventos como a Copa do Mundo; outras emissoras ainda não divulgaram prazos.
- TVs com o chip da DTV+ ainda não chegam ao varejo brasileiro; conversores de terceiros (Intelbras e Aquário) já existem entre R$ 600,00 e R$ 700,00, enquanto fabricantes trabalham em integração futura no controle remoto.
Em meio ao desenvolvimento da TV 3.0, também conhecida como DTV+, as emissoras brasileiras começam a testar e divulgar avanços comerciais, ainda que em estágio experimental. A mudança de padrão promete transmissões em 4K, com visão futura para 8K, além de som imersivo e interatividade. A iniciativa junta radiodifusão tradicional e banda larga, aproximando a TV aberta de um modelo de plataforma de streaming.
Com foco inicial em experiências, Globo e EBC lideram a agenda no país. Em paralelo, o Ministério das Comunicações discute apoio financeiro e infraestrutura para acelerar a transição. Ao mesmo tempo, canais e fabricantes monitoram a evolução tecnológica e definem cronogramas de implantação.
O que é a DTV+ e como funciona
A DTV+ pretende combinar sinal terrestre com internet para ampliar recursos da TV aberta. A evolução envolve ícones de acesso em televisões, tablets e celulares, em vez de números de canal. Em nível internacional, Estados Unidos e Coreia do Sul já possuem operações comerciais nesse formato.
Duas emissoras ocupam posição de destaque no lançamento: a TV Globo e a EBC. A Globo já tem unidades técnico-experimentais funcionando desde abril de 2025, em praças como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, com planos de expansão até 2030 para 15 regiões metropolitanas. A campanha publicitária atual foca engajamento e novas formas de relação com o público.
A EBC, gerenciadora da TV Brasil, inaugurou sua estação de testes da TV 3.0 em Brasília em abril, em parceria com o Ministério das Comunicações e a Anatel. A plataforma comum da EBC visa integrar serviços do Governo Federal, como Gov.br e SUS Digital, além do Tela Brasil, com transmissão de conteúdo público.
Investimento, tecnologia e prazos
No curto prazo, a adoção depende de equipamentos e infraestrutura. O público pode acessar a DTV+ por meio de conversores disponíveis no mercado brasileiro, com fabricantes como Intelbras e Aquário oferecendo kits entre 600 e 700 reais. Não há televisores com o chip de TV 3.0 integrados no momento.
Especialistas apontam que ainda há limitações técnicas para usos como a Copa do Mundo integral na DTV+. A implementação é vista como fase de refinamento, com expectativa de ampliar acessos conforme a disponibilidade de equipamentos mais acessíveis. A projeção de durabilidade da transição fica em torno de 10 anos, com possibilidade de prorrogação.
Plataforma Comum e alcance público
Entre as propostas da DTV+ está a Plataforma Comum, que reúne serviços governamentais e conteúdos federais. Em São Paulo e Brasília, a versão experimental já está disponível. A TV Brasil não terá recursos comerciais, mantendo foco no serviço público. A ideia é ampliar a integração entre governo e comunicação pública sem lucro direto.
A gestora da EBC ressalta a importância da plataforma para facilitar o acesso a serviços como Gov.br e Cultura, tornando a televisão mais inclusiva. O objetivo é colocar cultura e comunicação pública em evidência, mantendo a TV Brasil como veículo de interesse público.
Engajamento, esportes e conteúdo
A Globo planeja ampliar interatividade em diferentes formatos, incluindo cobertura de eventos esportivos com recursos de estatística aprofundada e enquetes. Também estuda o uso de dual view, com tela dividida entre transmissão ao vivo e replay selecionado pela emissora. Conteúdos jornalísticos e de entretenimento devem ganhar novas possibilidades de exibição.
Para o público, a empresa ressalta que a experiência ao vivo continua em foco, sem obrigatoriedade de migração para a DTV+. O conteúdo continua acessível como hoje, com opções adicionais para quem desejar explorar a camada interativa.
Antena interna e transformação de hábitos
A Globo está promovendo a aquisição de antenas digitais internas para melhorar a qualidade de sinal durante a Copa e incentivar a migração à DTV+. O objetivo é reduzir atraso e ruídos em ambientes com várias fontes de sinal. O investimento em antenas faz parte da preparação para a transição, mas o preço e a disponibilidade variam.
Outros setores da indústria aguardam evolução técnica e regulatória. A expectativa é de que empresas fabricantes do hardware de recepção se ajustem às exigências de controle remoto com acesso direto à DTV+. A regulamentação publicada no final de 2025 orienta o uso dessas funções.
Cenário financeiro e perspectivas
Um estudo do Fórum SBTVD aponta custos iniciais de implementação ao redor de 12 bilhões de reais, com potencial queda conforme o amadurecimento da tecnologia. Em comparação, a migração analógica para digital durou 15 anos. O compartilhamento de audiência ainda é maior na TV aberta brasileira, o que sustenta o interesse das emissoras.
Fontes do setor indicam que o andamento da DTV+ dependerá de investimentos em infraestrutura, pads de transmissão e redes de entrega de conteúdo. Em relação a planos de curto prazo, a expectativa é de que novas emissoras apresentem propostas e conteúdos na DTV+ já no início de 2027.
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