- O livro Inventário dos Jardins de Burle Marx no Recife, publicado em 2017 pela editora da Universidade Federal de Pernambuco, destaca seis jardins da capital tombados como patrimônios históricos nacionais.
- São eles: Praça de Casa Forte, Praça Euclides da Cunha, Praça do Derby, Praça da República e Jardim do Campo das Princesas, Praça Salgado Filho e Praça Faria Neves.
- O inventário apresenta plantas, desenhos originais, mobiliário urbano, drenagem, esculturas e mudanças ocorridas ao longo das décadas, ajudando no tombamento definitivo aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 2017.
- O projeto teve início em 2000, ganhou atuação conjunta da Prefeitura e do Laboratório da Paisagem, e envolveu parcerias com bibliotecas, acervos, arquivos municipais, o escritório Burle Marx e o Sítio Roberto Burle Marx para recuperar documentos, plantas baixas e desenhos originais.
- O trabalho destaca o papel do jardineiro, ações do Laboratório da Paisagem e a ideia de que jardins também são patrimônio cultural da cidade, com estimativa de mais de cinquenta jardins atribuídos a Burle Marx em Pernambuco e cerca de 150 no Nordeste.
O inventário sobre os jardins de Burle Marx no Recife reúne seis espaços da capital que já são tombados como patrimônio histórico nacional. O volume inicial foi publicado em 2017 pela editora da UFPE e detalha espécies, desenhos originais, mobiliário urbano, drenagem e alterações ao longo do tempo.
A obra apresenta seis jardins representativos do paisagista no Recife: Praça de Casa Forte, Praça Euclides da Cunha, Praça do Derby, Jardim do Campo das Princesas, Praça Salgado Filho e Praça Faria Neves. Cada um desperta interesse por sua urbanidade e pela permanência de traços do Jardim Moderno brasileiro.
A Praça Euclides da Cunha, de 1935, destacou-se pela inspiração na caatinga nordestina, integrando espécies de cactáceas e plantas adaptadas ao semiárido. O projeto utiliza três anéis concêntricos, com caminhos de pedra, esculturas e vegetação típica da região.
Origens e método de construção do inventário
O estudo teve início em 2000, com pesquisas sobre espaços livres da cidade. A parceria entre a Prefeitura e o Laboratório da Paisagem, iniciada em 2003 para restaurar a praça Euclides da Cunha, orientou a recuperação de documentos, plantas e desenhos originais.
Parcerias com bibliotecas, arquivos municipais e o Sítio Roberto Burle Marx apoiaram a coleta de materiais, incluindo fotografias antigas e depoimentos. Pesquisas de Ana Rita e Liana Mesquista foram fundamentais para o levantamento técnico.
O inventário percorre bases conceituais propostas por pesquisadores de referência e consolidou critérios para o tombamento dos jardins. O conjunto de 2008, com aprovação definitiva do IPHAN em 2017, fortalece o reconhecimento do valor paisagístico como patrimônio cultural.
Projetos emblemáticos e preservação
Entre os casos mais marcantes está a Praça de Casa Forte, com lagos, vitórias-régias e plantas tropicais; a praça passou a reconhecer a diversidade de ecossistemas brasileiros. A Praça do Derby, construída em 1925, é destacada pela história do paisagismo brasileiro e por sua recente revitalização.
A intervenção na Praça Faria Neves, no bairro Dois Irmãos, reuniu moradores na reconstrução de parte do traçado original, revelando o papel social dos jardins históricos como espaços de convivência.
Padrões de gestão e ações públicas
O estudo reforça a necessidade de preservar jardins como parte do patrimônio urbano, especialmente diante da verticalização. O Laboratório da Paisagem atua na produção de cartilhas, na Semana Burle Marx e em ações com escolas locais para aproximar o público das marcas históricas.
A equipe aponta que o papel do jardineiro é essencial na conservação, mesmo em cenários de restrições orçamentárias. As pesquisas também apontam para mais de 50 jardins atribuídos a Burle Marx em Pernambuco e cerca de 150 no Nordeste, ainda com poucos levantamentos detalhados.
Disponibilidade do material
O texto completo do inventário pode ser baixado gratuitamente na edição da UFPE. Além do registro técnico, o trabalho incentiva a leitura contínua sobre a preservação de jardins históricos e a integração entre memória, cidade e natureza.
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