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Herdeiros de Tarsila do Amaral divergem sobre autenticação de desenhos

Disputa entre herdeiros de Tarsila do Amaral trava a autenticação de dezesseis desenhos e prolonga impasse sobre a gestão do espólio

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  • Herdeiros contestam a autenticidade de dezesseis desenhos atribuídos a Tarsila do Amaral, geridos pela TALE, geradora de direitos autorais da artista, gerando impasse no espólio.
  • A certificação de autenticidade foi emitida por um comitê liderado pelo perito Douglas Quintale, após avaliação técnica e uso de técnicas modernas de análise, conforme a gestão de Paola Montenegro.
  • O grupo envolve divergência com a comissão do Catálogo Raisonné, que não reconhece preliminarmente os desenhos; a disputa também entra no âmbito judicial pela administração do espólio.
  • A discussão se conecta a controvérsias anteriores sobre outra obra, Paisagem de 1925, e reacende críticas sobre o método de autenticação utilizado pela Tarsila S.A.
  • Enquanto o inventário não é encerrado, a autoridade sobre as obras permanece em debate; o processo principal tramita na 1ª Vara da Família e Sucessões de São Paulo, com anúncio de exposição imersiva em agosto.

O grupo de herdeiros de Tarsila do Amaral questiona a autenticidade de 16 desenhos recém atribuídos à artista. A contestação envolve também galerias e se soma a disputas antigas sobre direitos autorais do espólio.

Os desenhos foram encontrados em 2011 por Alípio Neto, representante do espólio de Frederico Barros. A obra teria sido encomendada para acompanhar uma edição de 1925 que, por motivos ligados à morte de Guilherme de Almeida, não saiu.

Em 2008 o Catálogo Raisonné compilou a produção reconhecida de Tarsila. Entretanto, o conjunto não constava nesse catálogo, o que levou os herdeiros a contestar a validade da autenticação. A polêmica envolve a própria gestão da obra pela Tarsila S.A.

A autenticação foi emitida recentemente por um comitê liderado pelo perito Douglas Quintale, com participação de especialistas em grafotécnica e análise de materiais. Segundo Paola Montenegro, a conclusão baseou-se em documentação, comparação de traços, fibras do papel e exames como luz ultravioleta e infravermelho.

Além da certificação, o grupo contestante cobra transparência sobre o método e teme danos ao legado da artista. A defesa sustenta que o Raisonné não reconhece os 16 desenhos, e reforça que a autenticidade não se reduz a uma única avaliação.

A disputa envolve ainda o espólio: Paulo Montenegro, pai de Paola, atua como inventariante. A Justiça já tratou de questões relacionadas à administração da Tarsila S.A. e à partilha dos bens da artista, com decisões que mantêm Paulo Montenegro à frente do inventário por ora.

A família aponta risco reputacional para a obra de Tarsila e defende que qualquer reconhecimento de autenticidade passe pela comissão original do Raisonné. Os herdeiros destacam a importância de um processo técnico rigoroso e compartilhado com o colegiado estabelecido.

Uma exposição imersiva prevista para agosto, no Conjunto Nacional, é citada como exemplo de impacto econômico e museal da controvérsia. Paola Montenegro afirma que o uso de métodos científicos moderniza a análise de autenticidade, enquanto Tarsilinha do Amaral defende a continuidade do Raisonné como guia confiável.

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