- O governo mapeou 88 facções criminosas ativas no Brasil, com atuação em presídios, cidades do interior e alianças com PCC e CV.
- As facções menores seguem o mesmo padrão de atuação, com base no sistema prisional e cooptação de detentos; há 1.760 pavilhões que guardam presos vinculados a facções no país.
- Nordeste é a região com mais facções, totalizando 46, seguido por Sul (24), Sudeste (18), Centro-Oeste (10) e Norte (14).
- Sobre a estrutura: 96% atuam nas ruas, 98% nas unidades prisionais, 98% têm hierarquia, 91% possuem poder financeiro, 71% têm estatuto próprio, 73% contam com aliados e 92% têm inimigos.
- O impacto na violência aponta que a expansão do PCC e do CV muda o mapa do crime, com capitais registrando queda de homicídios e cidades menores/medias virando epicentros; estudos indicam essa tendência.
O Ministério da Justiça divulgou o Mapa das Organizações Criminosas (Orcrims) 2024, revelando atuação de 88 facções no Brasil. O registro aponta atuação em 25 estados e no Distrito Federal, com cooperação entre PCC, CV e grupos menores.
O estudo, elaborado com dados de três anos, mostra que facções menores seguem o mesmo modo de operação dos grandes rivais. A base é o sistema prisional, com cooptação de detentos para atuar fora das unidades.
O levantamento classifica as facções em quatro estágios de atuação — iniciais, locais, regionais e nacionais — e aponta quatro níveis de impacto, considerando fugas, resgates, rebeliões e confrontos com o Estado. Além disso, 1.760 pavilões abrigam presos vinculados a facções.
Região e expansão
O Nordeste registra o maior número de facções, seguido pelo Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Em números, 46 facções no Nordeste, 14 no Norte, 10 no Centro-Oeste, 18 no Sudeste e 24 no Sul. Quase todas as facções atuam fora das unidades prisionais e 98% possuem estrutura hierárquica, com poder financeiro. Influência e aliados também aparecem em grande parte dos casos.
A pesquisa aponta que 96% das facções atuam nas ruas, 98% em unidades prisionais e 91% mantêm algum nível de poder financeiro. Além disso, 71% possuem estatuto próprio e 73% contam com aliados, enquanto 92% indicam inimigos.
Impacto e cenário de violência
A expansão do PCC e do CV contribui para mudanças no mapa da violência, conforme dados do Atlas da Violência, Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo destaca que capitais tiveram queda de homicídios, enquanto cidades menores passaram a concentrar a violência.
No Pará, por exemplo, o PCC atua no interior e o CV domina a Região Metropolitana de Belém, com o Comando Classe A ampliando presença em outras áreas. Em Amapá, a presença de quatro facções coincide com a maior taxa de homicídios do país, acima de 45 por 100 mil habitantes.
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