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Marrocos, rival do Brasil na estreia, tem relação com cidade do Amapá

Mazagão Velho, no Amapá, guarda legado marroquino desde o século XVIII, fortalecendo identidade local diante da estreia Brasil x Marrocos na Copa

Antônio José Pinto, professor e morador de Mazagão Velho — Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica
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  • Mazagão Velho, vila no Amapá, guarda ligação histórica com Marrocos: famílias marroquinas trazidas por Portugal no século XVIII para habitar a região.
  • Em 1771, entre 163 e 410 famílias foram transferidas; mais de 1.600 habitantes cruzaram o Atlântico para povoar e proteger a fronteira amazônica.
  • Hoje, o vilarejo tem cerca de 8 mil habitantes (IBGE, 2022); é comum ver bandeiras do Brasil, do Amapá, de Mazagão, de Portugal e de Marrocos nas ruas.
  • Entre os marcos está a Igreja Nossa Senhora da Assunção, cuja construção começou em 1777 e hoje permanece em ruínas; a Festa de São Tiago é destaque cultural na região.
  • Na Copa do Mundo, Brasil estreia contra Marrocos em 13 de junho; a torcida na comunidade é dividida, com moradores mantendo orgulho de ambas as raízes.

Mazagão Velho, no município de Mazagão (Amapá), tem uma ligação histórica com Marrocos que ganha projeção neste domingo, quando o Brasil estreará na Copa do Mundo diante da seleção marroquina, em 13 de junho. A cidade fica a cerca de 65 km de Macapá e carrega um elo que vai além do futebol.

A relação remonta ao século XVIII, quando Portugal transferiu moradores da antiga Mazagão, no Marrocos, para a região amazônica para consolidar a presença portuguesa na fronteira. Registros apontam que entre 163 e 410 famílias migraram, totalizando mais de 1.6 mil habitantes, segundo historiadores. Antigos moradores da vila já descreviam a ligação com a memória marroquina.

Antigo morador e professor local, Antônio José Pinto, ressalta que a migração ocorreu por motivos de conflito religioso entre mouros e cristãos. Hoje, Mazagão Velho abriga cerca de 8 mil pessoas, segundo o censo de 2022, e mantém práticas culturais herdadas dos antepassados, com bandeiras que reúnem Brasil, Amapá, Mazagão, Portugal e Marrocos em celebrações locais.

Mazagão africana

A Mazagão africana foi uma fortificação portuguesa no litoral marroquino, hoje correspondente à cidade de El Jadida, reconhecida pela UNESCO. Um morador de Mazagão Velho, Josué Videira, teve oportunidade de conhecer a Mazagão de Marrocos em 2018, destacando semelhanças entre as duas comunidades, especialmente nas casas e em instrumentos musicais típicos.

A experiência reforçou os laços identitários, evidenciando paralelos na arquitetura e na música local. Videira mencionou que encontrou similaridades em instrumentos de percussão e nas construções, reforçando a ideia de uma continuidade histórica entre as duas Mazagãos.

Festa de São Tiago

Entre os compassos da tradição, a Festa de São Tiago é um dos maiores teatros a céu aberto do país. A encenação retrata a guerra entre mouros e cristãos, com cenas marcadas pela teatralidade do Baile das Máscaras e pela morte de personagens da trama. O desfecho enfatiza a vitória cristã, na sequência de rituais cênicos e da dança da vitória.

Torcida dividida

Sobre a Copa, moradores divergem. Parte da população torce pela seleção marroquina, outra parte mantém o apoio ao Brasil, com expectativa de equilíbrio no placar. A esperança de ambos os lados é ver o jogo definido de forma justa, sem assumir posição única.

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