- Ministério Público do Distrito Federal aponta motivação torpe e repugnante nas mortes na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga, envolvendo três técnicos de enfermagem.
- Os crimes ocorreram entre 17 de novembro e 1º de dezembro de 2025, na unidade particular, com o trio atuando de forma conjunta.
- As vítimas são João Clemente Pereira, 63 anos; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75; as mortes teriam sido provocadas por substâncias injetadas, inicialmente cloreto de potássio e, em seguida, Germi Rio.
- A expressão “alta celestial” foi utilizada pelos denunciados para se referir ao desfecho fatal, segundo a denúncia; os acusados negam participação ou admitem apenas parcialmente.
- Os três estão presos preventivamente; a Justiça recebeu a denúncia e eleenced deverá decidir se vão a julgamento pelo Tribunal do Júri.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) aponta que as mortes registradas na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga, tiveram motivação torpe e repugnante. Três técnicos de enfermagem estão denunciados pelos homicídios entre 17 de novembro e 1º de dezembro de 2025.
Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo é apontado como executor das mortes. Segundo a denúncia, ele agiria movido por irritação com pacientes que exigiam mais trabalho da equipe. A motivação seria especialmente ligada a pacientes obesos e que demandavam maior atenção.
Marcela Camilly Alves da Silva e Amanda Rodrigues de Sousa são denunciadas pelos mesmos crimes. O MP afirma que as duas sabiam da motivação e não se opuseram, atuando como apoio à execução dos homicídios, monitorando procedimentos e reações das vítimas.
As mortes ocorreram dentro de uma unidade privada de saúde, onde a ação foi descrita como planejada para provocar o desfecho fatal sem despertar suspeitas. A denúncia classifica os crimes como homicídio qualificado com motivo torpe, meio cruel e meio de defesa dificultado.
A expressão alta celestial aparece na denúncia como um eufemismo utilizado pelos acusados para se referir às mortes. A Justiça recebeu a denúncia e abriu ação penal contra os três denunciados, que permanecem presos preventivamente.
Durante a audiência de instrução realizada em 8 de junho, o promotor questionou Amanda sobre o uso do termo. Ela afirmou tratar-se de expressão comum no ambiente hospitalar, segundo o MP.
De acordo com as investigações, o trio atuava de forma conjunta: Marcos Vinícius realizava as aplicações das substâncias letais, enquanto Marcela e Amanda davam suporte, observando o ambiente e as respostas dos pacientes e dos equipamentos.
A denúncia descreve um esquema para eliminar pacientes sem despertar desconfiança, com uso de prescrições fraudulentas para obter acesso a medicamentos, inicialmente com cloreto de potássio, seguido por Germi Rio quando não havia resultado esperado.
O MP sustenta que pacientes internados, em estado vulnerável, foram alvos de conduta violenta para evitar demanda de maior esforço por parte da equipe. O processo já foi instaurado e as penas podem chegar ao Tribunal do Júri.
Vítimas e contexto
João Clemente Pereira, 63, servidor da Caesb, faleceu em 18 de novembro após cirurgia e complicações pulmonares ligadas à intubação. Ele deixou esposa, dois filhos e um neto.
Marcos Moreira, 33, morador de Brazlândia, trabalhava nos Correios. Internado por dores abdominais, morreu em 1º de dezembro. O velório ocorreu em Brazlândia.
Miranilde Pereira da Silva, 75, professora, foi vítima de injecção de desinfetante, segundo a investigação. Ela estava internada na UTI e não resistiu. Os acusados seguem presos desde janeiro.
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