- A investigação da BBC mostra que agentes que se dizem gestores do OnlyFans exploram criadoras no Reino Unido, com casos de abuso, ameaças à filha e ataques a domicílio, incluindo Rebecca, que teve casa invadida e hematomas.
- Esses “OFMs” prometem crescimento de receitas, porém costumam ficar com grande parte dos ganhos pré-impostos, às vezes até sessenta a setenta por cento, e exigem controle de logins e cumprimento de prazos.
- A BBC ouviu mais de sessenta criadoras e acompanhou o maior grupo privado de OFMs no Telegram, com cerca de vinte e quatro mil membros, onde há relatos de intimidação e “método de cafetina”.
- Especialistas em direitos humanos e advogados dizem que os relatos apontam exploração, com necessidade de atuação mais firme das autoridades e da plataforma. A OnlyFans afirmou que não patrocina terceiros e que leva a segurança a sério, sem controle sobre contratos externos.
- Globalmente, o ecossistema de OFMs cresce junto com a plataforma, que tem mais de quatro milhões de criadores; a empresa fatura com uma comissão de vinte por cento e lucros elevados, enquanto criadores relatam pressão para conteúdo explícito.
Rebecca, criadora de conteúdo no OnlyFans, relatou abusos por uma agência que prometia ajudá-la a aumentar ganhos, na Grã-Bretanha. Segundo ela, começou com elogios, mas o tratamento evoluiu para controle, insultos e ameaças contra a filha. Em seguida, agentes supostamente enviaram homens mascarados para atacá-la em casa.
O caso integra uma investigação da BBC sobre o que chama de OFMs – gerentes que atuam fora da plataforma para explorar criadores. A apuração ouviu 60 criadores no Reino Unido e mergulhou em um grupo privado de Telegram com 24 mil membros. Há relatos de contratos que reduzem drasticamente a renda dos criadores.
Rebecca mudou as senhas do OnlyFans após ter a conta bloqueada, recebeu mensagens intimidatórias e viu a janela da casa ser atingida por um tijolo. Dias depois, dois homens mascarados entraram em sua residência e a agrediram. A jovem acredita que as ações estão ligadas à agência.
Contexto: OFMs e a exploração de criadores
A BBC aponta que há sinais comuns de exploração, como controle, coerção financeira e impedimento de sair de contratos. Profissionais de direitos humanos ressaltam que o governo precisa analisar a situação com mais rigor, pois a plataforma pode estar contribuindo para a prática.
Deputados e advogados ouvidos pela BBC destacam que muitos contratos com OFMs autorizam acesso total às contas e recebem percentuais elevados, às vezes até 70%. Criadores relatam pressão para produzir conteúdo específico e prazos curtos para atendimento a assinantes.
Resposta de OnlyFans e impactos
A empresa afirma levar a segurança dos usuários a sério e diz não ter relação com terceiros, como agências de gerenciamento. A BBC aponta que, apesar da posição da plataforma, existem lacunas na proteção de criadores contra abusos e exploração.
Várias histórias individuais indicam o espectro da violência ligada a OFMs. Duas criadoras anônimas relataram cobranças extremas para reduzir percentuais, com ameaças de danos caso não aceitassem. Outras, como Leanne, descobriram contratos que cederam metade da renda após a dedução da plataforma.
Criadores entrevistados apontam que o problema não se restringe a casos isolados, mas sim a um ecossistema de OFMs que opera com pouca regulação. Ainda não há consenso sobre medidas eficazes para coibir abusos sem restringir a autonomia das criadoras.
O que está em jogo para as criadoras
A reportagem destaca que, mesmo diante de relatos graves, nem todas as queixas resultaram em ações formais por parte da plataforma. A necessidade de maior transparência em contratos e maior proteção para quem produz conteúdo é enfatizada por especialistas consultados pela BBC.
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