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IA Clona Trejeitos de Influencers para Lucrar na Web

Avatares de IA clonam vídeos de influenciadores para vender produtos, sem consentimento, explorando cenários reais e gerando risco jurídico e de reputação

Design sem nome
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  • Perfis criados por IA replicam trejeitos, movimentos e cenários de influenciadores para vender produtos via TikTok Shop, sem autorização.
  • O fenômeno já tem casos identificados, como Lusca (Lucas Simões Lima) e um avatar chamado Lucas Barroso, que usavam conteúdos públicos para promover roupas, calçados, relógios e outros itens.
  • Em alguns casos, o rosto do avatar muda ao longo do tempo, e os seguidores chegam a interagir com a figura digital como se fosse uma pessoa real.
  • Além de clonar perfis, surgem cursos que ensinam a criar avatares com fotos de terceiros, vendendo técnicas por cerca de R$ 97, alimentando um mercado de clonagem de criadores.
  • Especialistas dizem que a prática viola direitos de personalidade e orientam: denunciar na plataforma, usar provas digitais com auditoria/blocks de segurança e registrar boletim de ocorrência na polícia.

Perfis criados por Inteligência Artificial vêm clonando trechos de vídeos de influenciadores para vender produtos em plataformas de comércio integrado, como o TikTok Shop. Os avatares replicam movimentos, trejeitos e até o layout de casas, sem autorização, com fins comerciais.

Os criadores de conteúdo relatam que os avatares de IA ganham visibilidade e faturamento significativo ao usar conteúdos públicos de pessoas reais. Em muitos casos, não há clonagem do rosto exato, mas a semelhança é suficiente para enganar seguidores e gerar compras.

O caso mais conhecido envolve o influencer Lusca, com 2,5 milhões de seguidores no TikTok. Um perfil chamado Lucas Barroso passou a postar anúncios semelhantes aos de Lusca, ainda que com cenários e gestos parecidos aos seus. O clone acumulava milhares de curtidas e promovia itens diversos.

O que chamou a atenção foi o uso frequente do cenário de um apartamento específico, algo que fez o criador original perceber que a divulgação era uma fraude. Além disso, o avatar respondia seguidores e comentava sobre medidas do corpo, dando aparência de pessoa real.

O avatar, em breve, alcançou cerca de 46 produtos na aba TikTok Shop. A plataforma não informou quantas dessas mercadorias foram efetivamente vendidas, e o perfil permaneceu ativo até o dia seguinte ao detectado pelo criador.

Mudanças de tema e relatos de outros criadores

Além de Lusca, outras influenciadoras relataram situações similares. Júlia Barni, com grande alcance no Instagram e TikTok, disse ter visto conteúdos seus sendo usados para aplicar IA em coreografias, gerando autopromoção indevida.

Júlia Alcoforado também relatou ter sido alvo da prática, destacando a existência de um mercado que ensina a criar avatares com imagens de terceiros. Ela mencionou ainda cursos que ensinam a operacionalizar esse tipo de clonagem para vender produtos.

Procurada pelo g1, Júlia Barni afirmou que avalia medidas jurídicas com seus advogados. Júlia Alcoforado afirmou não se sentir à vontade para comentar no momento, por receio de repercussões negativas.

Cursos que promovem avatares de IA

Cursos online mostram como gerar avatares com fotos de terceiros, com promessas de monetização rápida. Em uma plataforma, o material é oferecido por cerca de 97 reais e utiliza imagens retiradas do Pinterest para criar os modelos digitais.

Esses cursos ajudam a transformar conteúdos de pessoas reais em avatares com potencial de venda de produtos, alimentando um mercado de clonagem de identidade na internet.

Impacto econômico e apoio legal

A expansão de ferramentas de IA associadas a comércio online estimulou uma corrida por renda digital. Advogada especializada em direito digital afirma que, mesmo sem legislação específica, a proteção à personalidade é garantida pelo Código Civil, cobrindo voz, gestos e cenários.

Para quem identificar uso indevido, a orientação é agir em três frentes: denunciar na plataforma, registrar provas digitais com auditoria que preserve dados por anos e registrar um boletim de ocorrência para criar respaldo legal.

O que fazer se você for atingido

Primeiro, use os canais de denúncia da plataforma para flagrar o uso indevido de imagem. Em seguida, mantenha provas digitais registradas em sistemas que garantam cadeia de custódia. Por fim, procure a Polícia Civil para formalizar o caso.

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