- Denúncias recebidas pelo Disque 100 passaram de cerca de 12,5 mil em 2020 para 45,8 mil em 2023; entre 2014 e 2023, foram registrados 150 mil episódios de violência contra a população em situação de rua no país.
- O estudo Cartografia Invisível aponta que setenta por cento das vítimas não apresentam atendimento após a violência; oitenta por cento das agressões ocorrem em vias públicas.
- Mulheres e pessoas trans em situação de rua têm risco maior de sofrer agressões graves ou fatais; fatores como deficiência, transtornos mentais, orientação sexual e identidade de gênero aumentam a vulnerabilidade.
- A população em situação de rua passou a ser registrada no Cadastro Único (Cadúnico) a partir de 2012; entre 2020 e maio de 2026, o número quase dobrou, de 194.824 para 388.855, com mais de seis em cada dez municípios abrigando ao menos uma pessoa nessa situação.
- O governo enfrentou pressão após o STF determinar ações para proteger essa população e lançou o Plano Nacional Ruas Visíveis, mas especialistas afirmam que houve pouco avanço prático e destacam a necessidade de investimento em moradia, educação e políticas de reconhecimento, como o modelo Housing First.
A violência contra pessoas em situação de rua no Brasil vem crescendo de forma expressiva entre 2020 e 2023. Denúncias recebidas pelo Disque 100 passaram de cerca de 12,5 mil para 45,8 mil, conforme dados oficiais. Ao longo de dez anos, já são registrados 150 mil episódios.
Pesquisadores do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua indicam que os números oficiais revelam apenas parte da realidade. A maior parte das agressões ocorre em vias públicas, diante de todos.
Estudos mostram ainda que a população em situação de rua é majoritariamente negra, masculina e com baixo nível de instrução. Em 70% dos casos, as vítimas não buscam atendimento após a violência, por medo, discriminação ou dificuldade de acesso.
O que dizem os números
Segundo o estudo A Cartografia Invisível, elaborado com dados do Sinan, do SUS e do Disque 100, as agressões são recorrentes para muitos ao longo da trajetória de vida na rua. Traços de violência institucional também aparecem na pesquisa.
Entre 2014 e 2023, o país registrou 150 mil episódios de violência contra essa população, conforme o OBPopRua. A maioria das ocorrências, cerca de 70%, ocorre em espaços abertos, na presença de terceiros.
Quem são as vítimas
A maioria das mulheres e pessoas trans em situação de rua enfrenta riscos maiores de agressões graves ou fatais. Deficiências, transtornos mentais e identidade de gênero ampliam a vulnerabilidade, com violência sexual e institucional entre as mais recorrentes.
Dados do CadÚnico indicam que, entre 2020 e maio de 2026, a população nessa condição quase dobrou, passando de 194.824 para 388.855 pessoas. O Sudeste concentra a maior fatia, e SP responde por cerca de 40% do total nacional.
Desafios e políticas públicas
O Supremo Tribunal Federal determinou, em 2023, que governos adotem ações para proteger essa população. O Plano Nacional Ruas Visíveis reúne quase cem medidas, mas a implementação tem avançado lentamente.
Especialistas apontam que a maior dificuldade não é o dinheiro, e sim a priorização de ações. No governo federal, o orçamento previsto para moradia é considerado insuficiente para a escala do problema.
Caminhos defendidos
Observatório e especialistas defendem o modelo Housing First, que coloca moradia como base para outros serviços, como saúde, educação e assistência social. Ações de fortalecimento do CadÚnico também são apontadas como essenciais para inclusão nas políticas públicas.
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