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Obras de grande escala na Art Basel Unlimited 2026: avião desmontado e lençóis

Unlimited Basel 2026 apresenta 59 projetos de grande escala, com obras de Burden, Piéron e Genzken, sob nova curadoria e foco em materialidade e contexto político

Crowds at the opening of the Unlimited section of Art Basel 2026, with a sculpture by Yayoi Kusama.
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  • Art Basel em Basel abre a edição 2026 da Unlimited, plataforma de projetos de grande escala, com a curadoria de Ruba Katrib, substituindo Giovanni Carmine.
  • A seção reúne sessenta e nove projetos apoiados por sessenta e seis galerias, um leve recuo em relação a 2025.
  • Destaques incluem a instalação L.A.P.D. Uniforms de Chris Burden, com trinta uniformes de policial ampliados, e Moffat Takadiwa com obras formadas por materiais descartados.
  • Benoît Piéron apresenta montes de lençóis de hospital empilhados, chamados de cairns, em referência à sua infância e experiência clínica.
  • Zsófia Keresztes, Isa Genzken, Eva Jospin, Timur Si-Qin e outros apresentam trabalhos que exploram linguagem, memória, meio ambiente e violência geopolítica por meio de instalações autônomas e imersivas.

Art Basel em Basel, Suíça, abriu a edição 2026 da seção Unlimited, dedicada a projetos de grande escala que vão além do formato de estande. Este ano, a curadoria fica a cargo de Ruba Katrib, atual diretora de curatorial affairs do MoMA PS1, que substitui Giovanni Carmine após cinco edições no comando. A aposta é explorar instalações monumentais que ampliam as possibilidades expositivas da feira.

A curadora destacou que o espaço permite ver obras em formatos amplos, com séries de impressões de tamanho médio e peças históricas apresentadas de forma completa pela primeira vez. Entre os exemplos citados, estão projetos de Philip-Lorca diCorcia, Thomas Ruff e Peter Hujar, revelando uma curadoria que privilegia a experiência sensorial do visitante.

Katrib apontou a ideia de trabalhar momentos, constelações e conversas que emergem de diferentes áreas da mostra, sem restrições predefinidas. A curadoria também enfatiza o vínculo entre forma e atualidade, com artistas revisitando materiais de guerra e violência política para discutir tensões geopolíticas contemporâneas.

Destaques e abordagens

1. Chris Burden: uma instalação com 30 uniformes policias de Los Angeles ampliados, formando uma parede que excede dois metros de altura. A obra aborda autoridade, vigilância e estruturas de poder institucional.

2. Benoît Piéron: montes de lençóis de hospital em tons pastel, chamados de cairns, que remetem à memória de infância do artista ao lidar com doença. Cada montículo recebe olhos cerâmados com expressão distinta, criando um percurso lúdico e desorientador.

3. Zsófia Keresztes: Mother Tongue II, com 15 bocas de mosaico de vidro e têxteis entrelaçados que formam uma trança única, explorando linguagem, educação e a corporalidade da fala.

4. Isa Genzken: Painel de janelas de avião e assentos, em uma configuração que convida à introspecção sobre o transporte aéreo e seus impactos.

5. Eva Jospin: Panorama, de cardboard reciclado, em uma experiência imersiva de 360 graus que cria uma paisagem florestal sem ponto de fuga.

6. Timur Si-Qin: Mariposita, estrutura de aço inox com tela LED, baseada em digitalização de uma árvore da Amazônia, questionando a preservação de ecossistemas frente à intervenção humana.

7. Moffat Takadiwa: The Water Vessels, um tapestry de materiais descartados como teclados, mecânicos e cabos, explorando consumo, desigualdade e meio ambiente.

A curadoria também se debruça sobre o uso de resíduos e materiais de descarte para refletir sobre história pós-colonial e impactos ambientais. A mostra reúne 59 projetos apoiados por 66 galerias, números que indicam ligeiro recuo em relação a 2025.

Contexto de produção e espaços

O conjunto de obras fica distribuído pelos vastos halls do Messe Basel, com foco em peças que exigem escala e envolvimento do público. A edição de 2026 mantém o equilíbrio entre peças institucionalizadas e propostas de artistas emergentes ou menos representados em grandes mostras. A organização da feira não divulgou mudanças de formato que alterem a circulação geral, mantendo o padrão de abrir para experiências imersivas.

A curadoria de Katrib foi responsável por selecionar trabalhos que combinam presença física com referências históricas e políticas, reforçando o papel da Unlimited como espaço de experimentação crítica. A mostra permanece como um termômetro de tendências na produção contemporânea de alto impacto visual e conceitual.

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