- A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou operação contra o golpe do falso boleto; quatro suspeitos foram presos em São Paulo, com mandados de prisão preventiva e busca e apreensão cumpridos.
- O grupo é investigado por fraude eletrônica, falsificação de documento particular, falsa identidade e associação criminosa; mais de quinze celulares foram apreendidos.
- Os boletos falsos reuniam aparência idêntica aos originais, atingindo vítimas em pelo menos três estados; os valores eram enviados para a conta controlada pela organização.
- O esquema tinha quatro etapas: captação pela plataforma Reclame Aqui, abordagem por mensagens fingindo ser representantes de bancos, falsificação de boletos e movimentação financeira com atingimento de 10% para quem disponibilizava a conta.
- Os quatro integrantes tinham funções definidas: o operador central acessava sistemas da financeira, a coautora executava as fraudes, outra gerava boletos originais e o quarto coordenava a emissão e a sincronização.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou uma operação que mira um golpe do falso boleto contra clientes de diversas instituições financeiras. Quatro suspeitos foram presos em São Paulo durante a ação, realizada nesta terça-feira, 16. O conjunto de crimes envolve fraude eletrônica, falsificação de documento particular, falsa identidade e associação criminosa.
A ação foi conduzida pela DPRCPE/DERCC, responsável pela repressão aos crimes patrimoniais eletrônicos. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva contra integrantes do grupo, que utilizava boletos falsos para desviar pagamentos.
Durante a operação, foram apreendidos mais de 15 aparelhos celulares e outros equipamentos usados no golpe. As autoridades destacam que o esquema tinha estrutura organizada e funções bem definidas entre os integrantes.
Como funcionava o golpe
A investigação aponta quatro etapas do modus operandi. Primeiro, a captação: criminosos monitoravam reclamações na plataforma Reclame Aqui para identificar clientes com dificuldades de obter boletos de quitação antecipada.
Em seguida, as vítimas eram abordadas por meio de mensagens com números registrados em nome de terceiros, com a falsa identificação de representantes da instituição financeira. Depois, ocorria a falsificação: boletos legítimos eram alterados para constar beneficiários distintos das financeiras-alvo.
Por fim, os valores pagos eram recebidos na conta movimentada pelo grupo, que retirava cerca de 10% como remuneração pela disponibilização da conta. O rastreamento apontou uma conta receptora utilizada para consolidar os recursos.
A investigação também identificou uma conta de e-mail criada no dia do crime, com boletos fraudulentos enviados a pelo menos três vítimas. Ainda há indícios de novas tentativas de fraude em andamento.
Alvos e funções dentro do esquema
A Polícia Civil prendeu quatro integrantes, descritos como núcleo central do golpe. O principal suspeito, de 35 anos, era o operador da fraude e tinha acesso ao sistema interno de uma financeira por meio de contrato de correspondente bancário. Ele monitorava reclamações e adulterava boletos.
A coautora, de 28 anos, integrava o núcleo de execução das fraudes. Ela atuava diretamente na prática criminosa. Uma terceira investigada, de 33 anos, ficava responsável pela movimentação financeira, gerando boletos e disponibilizando a conta receptora.
O quarto integrante, de 30 anos, ligava os núcleos operacional e financeiro, coordenando a emissão dos boletos e repassando dados da linha digitável. Ele possuía antecedentes por furto qualificado e estelionato.
As investigações tiveram início a partir de boletim de ocorrência que relatou pagamento de mais de R$ 52 mil em dois boletos falsos supostamente enviados por uma funcionária de banco via aplicativo de mensagens. O golpe teria atingido vítimas em pelo menos três estados.
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