- O artigo aborda o surgimento de uma indústria de “gerentes” do OnlyFans, intermediários que recrutam criadores e ficam com parte significativa dos ganhos.
- Markuss Hussle, apontado como gestor de OnlyFans, afirma ficar com cinquenta por cento das receitas das mulheres que gerencia e oferece um programa de coaching por oito mil dólares.
- Testemunhos e investigações revelam práticas de recrutamento agressivas, pressão para produzir conteúdo mais explícito e, em alguns casos, violência ou coação.
- Parlamentares britânicos e a comissária anti-escravidão externa pedem uma CPI para avaliar a plataforma e medidas de proteção contra exploração, tráfico e coerção.
- A plataforma OnlyFans diz não patrocinar nem gerir agências de gestão e reforça que atua na segurança dos usuários, enquanto especialistas destacam riscos de normalização de práticas exploratórias e grooming no ecossistema.
Markuss Hussle, conhecido como gestor de OnlyFans, atua como intermediário que orienta mulheres a produzirem conteúdo na plataforma e fica com cerca de 50% das receitas. Seu material promocional exibe estilo de vida luxuoso, com carros, viagens e suntuosos jantares.
A operação de Hussle não se resume a dicas de venda de conteúdo. Em vídeos, ele apresenta-se como empreendedor de marketing digital e oferece treinamento por 8 mil dólares, direcionado a jovens homens interessados em montar próprias gestões de modelos.
Hussle, 27 anos, está baseado em Londres e dirige uma agência de marketing que incentiva clientes masculinos a adquirir conteúdos de mulheres gerenciadas por ele. Em entrevistas, ele evita falar abertamente sobre o que as modelos devem fazer no conteúdo, mas sugere que o trabalho pode envolver entre 18 e 25 anos e, em alguns casos, conteúdo explícito.
O modelo de negócios de OnlyFans, apesar de defender autonomia das criadoras, dá espaço a intermediários que capturam parcela dos ganhos. Em 2024, OnlyFans teve receita de aproximadamente 7,2 bilhões de dólares, com mais de 4,6 milhões de criadores, entre eles muitos conteúdos pornográficos.
Mudanças no tema: surgimento de intermediários e críticas
Investigações recentes mostram que gestores independentes em redes sociais recrutam modelos, firmam contratos e coordenam estratégias de monetização, muitas vezes por meio de chatters que interagem com fãs. Em relatos, algumas jovens relatam pressões para ampliar conteúdos, incluindo cenas mais ousadas.
O Guardian e outros veículos destacam que, embora haja relatos de gestão formal, há preocupações sobre condições de trabalho, coerção e exploração. Organizações de defesa de direitos das mulheres defendem maior fiscalização e uma avaliação parlamentar sobre riscos de tráfico, exploração e violência.
A BBC também descreve casos de pressão para produção de conteúdo cada vez mais explícito. Entidades públicas e parlamentares pedem investigações para avaliar mecanismos de detecção de tráfico humano, exploração sexual e controle coercitivo ligado a plataformas de conteúdo pago.
Realidades vividas por criadoras
Casos de criadoras enviadas por agências para jovens viram centro de debates. Relatos ouvidos por veículos de imprensa citam abordagens via redes sociais, uso de contratos com cláusulas restritivas e dificuldades para sair do setor sem riscos legais. Algumas jovens relatam ganhos elevados, mas ponderam custos emocionais e de privacidade.
Diversas criadoras compartilham experiências positivas com gestão eficiente, porém enfatizam que a relação pode envolver promessas de viagens, contratos longos e cobrança por conteúdo adicional. Em alguns casos, a saída de contratos gerou disputas legais ou ameaças de danos à reputação.
Reação institucional e setorial
Defensores de direitos das mulheres alertam para a normalização de intermediários que monetizam a sexualidade feminina. Parlamentares e autoridades independentes solicitam visitas a processos de verificação de indícios de exploração e violência. A OnlyFans afirma que a plataforma capacita criadores e que não endossa contratos com gestores, destacando ações quando há preocupações com contas.
Especialistas em segurança online destacam que a indústria de gestão de OnlyFans cresce na Europa e na América do Norte, com operadores que vão desde grandes firmas até redes informais. Pesquisas indicam que parte do mercado é alimentada por redes de discussão on-line, onde práticas de negociação de modelos são discutidas.
Perspectivas de especialistas e futuros passos
Organizações de apoio às mulheres pedem regulamentos mais rígidos e transparência nos contratos entre criadoras e gestores. Pesquisas apontam riscos de coerção, cobrança de percentuais elevados e dificuldades para rescindir acordos. Especialistas ressaltam a necessidade de educação para pais e criadoras em potenciais abordagens de recrutamento.
Alguns ex-gestores e criadoras destacam a importância de decisões informadas, consentimento claro e salvaguardas para evitar abusos. A discussão pública continua a evoluir frente a relatos de abusos, pressões comerciais e impactos na saúde mental das participantes.
Contexto adicional
Casos de figuras públicas vinculadas a práticas de gestão geram controvérsia. Atividades relacionadas a cursos e redes de treinamento para gestores de OnlyFans ganharam atenção midiática, com perguntas sobre legalidade, ética e impacto social. Em resposta, portas de negociação e políticas de proteção ao usuário são debatidas entre reguladores e plataformas.
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