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Aramco amplia presença em meio à Copa do Mundo

Port Arthur enfrenta alta poluição de refinarias ligadas à Aramco, com impactos à saúde e valorização imobiliária da comunidade em risco

Motiva’s refinery, 100 miles east of Houston, Texas, dominates the town of Port Arthur, which has a population of 55,000. Photograph: Antranik Tavitian/The Guardian
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  • Motiva, a maior refinaria dos EUA, fica em Port Arthur, Texas, e a comunidade enfrenta altos níveis de poluição e problemas de saúde, como câncer e asma.
  • A Aramco assumiu o controle da Motiva em 2017 e é patrocinadora mundial da FIFA desde 2024, com presença destacada no Mundial em Houston.
  • Port Arthur é uma cidade pobre, com índices de câncer e doenças cardíacas acima da média e renda familiar baixa; moradores relatam depreciação de imóveis e impactos ambientais.
  • A Motiva já foi multada diversas vezes por violações ambientais, incluindo liberações de dióxido de enxofre e vazamentos de água contaminada.
  • Ativistas locais pedem melhorias reais na poluição e na infraestrutura esportiva/ comunitária; críticos questionam o alcance real da parceria entre Aramco, Motiva e a FIFA.

O Port Arthur, cidade de aproximadamente 55 mil habitantes no leste do Texas, vive sob a sombra da refinaria Motiva, maior do setor segundo algumas medidas. O complexo domina a paisagem da região, atrás de muros e dutos que se estendem por milhares de acres.

A Motiva é operada pela Aramco desde 2017, que hoje também figura como patrocinadora mundial da Fifa e patrocinadora exclusiva de energia na Copa do Mundo. No entanto, moradores acusam a indústria de liberar gases tóxicos e de contribuir para problemas de saúde a longo prazo.

A cidade vive uma realidade econômica difícil: é apontada como uma das mais pobres do Texas, com renda familiar mediana baixa, valores de moradia baixos e elevada vulnerabilidade social. A poluição associada às refinarias é vista como agravante nesse cenário.

Os residentes relatam emissões de benzeno, um carcinogênico comprovado, além de metano, dióxido de carbono, sulfureto de hidrogênio e dióxido de enxofre. Mesmo com regras de agência ambiental, violações são frequentes e preocupam pela saúde pública.

Entre as sanções, Motiva já recebeu multas administrativas por liberações não autorizadas de dióxido de enxofre em 2023 e 2022. Em 2022 houve também punição relacionada a um vazamento de água contaminada após o sobrefluxo de um weir no complexo.

Foram apontados impactos diretos na comunidade: doenças respiratórias em crianças, hospitalizações e uma percepção de que o território próximo às refinarias perdeu valor imobiliário e oportunidades de negócios locais. A presença de outras usinas na região intensifica a sensação de risco.

Ativistas e moradores afirmam que as grandes empresas de petróleo concentram lucros e negligenciam o desenvolvimento comunitário. Alegam que não houve investimentos visíveis em infraestrutura esportiva ou em programas locais, além de questionarem a participação de patrocinadores no cotidiano da cidade.

Alguns moradores relatam melhorias, como renovação de prédios históricos e ações de mitigação de enchentes após episódios de alagamento. Contudo, muita gente associa esses avanços a medidas pontuais, sem mudar a relação de poder com as fábricas.

Questiona-se ainda o papel de patrocinadores globais na região: por que Aramco e a Fifa não promovem iniciativas diretas de cuidado com a comunidade ao redor das plantas, especialmente em educação, saúde e esportes? Não houve resposta oficial da Fifa sobre o cumprimento de compromissos ambientais.

A situação em Port Arthur permanece tensa: a população aponta a relação entre riqueza gerada pela indústria e custo ambiental elevado para quem mora ao lado. A avaliação dos moradores é de que mudanças profundas na atuação das empresas são necessárias para alterar esse panorama.

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