A região do Sahel, na África, é considerada o “epicentro do terrorismo global” e, pela primeira vez, representa mais da metade das mortes relacionadas ao terrorismo, conforme o Global Terrorism Index (GTI). O relatório indica que, em 2024, 3.885 pessoas morreram no Sahel, de um total mundial de 7.555. Embora as mortes globais tenham diminuído […]
A região do Sahel, na África, é considerada o “epicentro do terrorismo global” e, pela primeira vez, representa mais da metade das mortes relacionadas ao terrorismo, conforme o Global Terrorism Index (GTI). O relatório indica que, em 2024, 3.885 pessoas morreram no Sahel, de um total mundial de 7.555. Embora as mortes globais tenham diminuído desde um pico de 11.000 em 2015, o Sahel viu um aumento quase dez vezes desde 2019, com grupos extremistas redirecionando suas atividades para a região.
O GTI, publicado pelo Institute for Economics and Peace, define terrorismo como o uso de força e violência por atores não estatais para alcançar objetivos políticos, econômicos, religiosos ou sociais. O Sahel abrange partes de dez países, incluindo Mali, Burkina Faso e Níger, e é caracterizado por altas taxas de natalidade, com quase dois terços da população abaixo dos 25 anos. O relatório destaca que, ao contrário do aumento do terrorismo de “ator solitário” no Ocidente, o Sahel enfrenta a expansão rápida de grupos jihadistas, como o Estado Islâmico e o Jama’at Nusrat al-Islam wal Muslimeen (JNIM).
Esses grupos buscam estabelecer novas ordens legais, muitas vezes baseadas na Sharia, e competem por território e influência. O IS-Sahel dobrou seu controle territorial em Mali desde os golpes de 2020 e 2021, enquanto o JNIM também se expande. A instabilidade política e a governança fraca criam condições favoráveis para o crescimento desses grupos, que se aproveitam de conflitos e descontentamento local. Desde 2020, o Sahel tem sido chamado de “cinturão dos golpes”, com seis golpes bem-sucedidos, resultando em governos militares em todos os países afetados.
O GTI também aponta que grupos jihadistas sustentam suas operações por meio de atividades econômicas ilícitas, como sequestros e tráfico de drogas. O Sahel se tornou uma rota chave para o tráfico de cocaína da América do Sul para a Europa. Além disso, os grupos competem pelo controle de recursos naturais, como urânio e ouro. Após a onda de golpes, os governos da região têm buscado apoio em China e Rússia, com a presença de paramilitares russos, mas a eficácia dessas medidas ainda é questionável. O relatório alerta para o risco de que a violência se espalhe para países vizinhos, como Togo, que registrou um aumento significativo de ataques em 2024.
Entre na conversa da comunidade