Centenas de apoiadores de Evo Morales marcharam em La Paz pedindo sua candidatura nas eleições de agosto, apesar de uma decisão da Corte Constitucional que o impede de concorrer novamente. A manifestação resultou em confrontos com a polícia, que usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que lançavam pedras. Durante os conflitos, alguns policiais e civis ficaram feridos. Morales não participou da marcha por medo de ser preso, já que o governo pediu sua entrega voluntária. A decisão judicial que o desqualifica é vista como arbitrária por ele, que já teve decisões favoráveis no passado. A situação política na Bolívia é tensa, com a crise econômica e a divisão entre os apoiadores e opositores de Morales se intensificando.
Apoio a Evo Morales gera confrontos em La Paz
Centenas de apoiadores do ex-presidente Evo Morales marcharam em direção ao Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia nesta sexta-feira, 28, em uma manifestação que exigia a candidatura do líder indígena nas eleições presidenciais de agosto. A marcha, no entanto, resultou em confrontos com a polícia, que tentou dispersar os manifestantes.
Os protestos foram desencadeados após uma decisão da Corte Constitucional que impede Morales de concorrer novamente, uma vez que ele já cumpriu três mandatos. A tensão política no país se intensifica em meio à pior crise econômica em quatro décadas. Durante os confrontos, a polícia relatou ferimentos em dois oficiais, um jornalista e um comerciante local, enquanto os manifestantes, que lançavam pedras, foram reprimidos com gás lacrimogêneo.
Morales, que prometeu participar da marcha, não compareceu, temendo ser preso. O governo, por meio do ministro Eduardo del Castillo, pediu a entrega voluntária do ex-presidente, afirmando que ele seria detido se encontrado nas ruas. A decisão da Corte, que reafirma a proibição de reeleição para presidentes, foi considerada arbitrária por Morales, que já havia se beneficiado de decisões judiciais favoráveis em seu passado político.
Desdobramentos da situação
A manifestação em La Paz foi marcada por gritos de apoio a Morales, com os participantes clamando por sua volta ao poder. A situação se complica ainda mais com a recente declaração do atual presidente Luis Arce, que anunciou que não buscará reeleição e afirmou que a Corte desqualificou Morales para as eleições de 2025.
Especialistas questionam a legitimidade da decisão judicial, apontando que a política boliviana é marcada por conflitos que comprometem a imparcialidade do sistema judiciário. Morales, que transformou o país durante seu governo, continua a ser uma figura polarizadora, com seus apoiadores defendendo a inclusão dos povos indígenas e a redistribuição da riqueza nacional.
A marcha de hoje reflete a divisão política no país e a persistente influência de Morales, mesmo após sua saída do poder. A situação permanece tensa, com a possibilidade de novas manifestações e confrontos nas próximas semanas.
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