Rwanda anunciou sua saída da Comunidade Econômica dos Estados da África Central (Eccas) após um desentendimento diplomático relacionado ao conflito no leste da República Democrática do Congo (RDC). O país deveria assumir a presidência do bloco, mas foi impedido durante uma reunião em Guiné Equatorial. A decisão de retirada foi justificada por Rwanda, que afirmou […]
Rwanda anunciou sua saída da Comunidade Econômica dos Estados da África Central (Eccas) após um desentendimento diplomático relacionado ao conflito no leste da República Democrática do Congo (RDC). O país deveria assumir a presidência do bloco, mas foi impedido durante uma reunião em Guiné Equatorial.
A decisão de retirada foi justificada por Rwanda, que afirmou que seu direito à presidência foi “deliberadamente ignorado” para impor a vontade da RDC. O governo rwandense declarou que não vê justificativa para permanecer em uma organização que não respeita seus princípios fundacionais.
Conflito com a RDC
As tensões entre Rwanda e a RDC aumentaram devido a acusações de que Kigali apoia o grupo rebelde M23, ativo no leste congolês. O governo da RDC, com apoio dos Estados Unidos e da França, identificou Rwanda como responsável pelo apoio aos rebeldes, que conquistaram cidades estratégicas como Goma e Bukavu. Um relatório da ONU indicou que até quatro mil soldados rwandenses estariam lutando ao lado do M23, o que Rwanda nega, afirmando que suas tropas estão posicionadas na fronteira para evitar a propagação do conflito.
Durante a cúpula da Eccas, os líderes reconheceram a “agressão” de Rwanda contra a RDC e exigiram a retirada das tropas rwandesas do território congolês. Enquanto a disputa não for resolvida, a presidência do bloco ficará com a Guiné Equatorial, em detrimento de Rwanda. O porta-voz do governo congolês, Patrick Muyaya, afirmou que “não se pode violar continuamente os princípios que sustentam nossas instituições regionais e querer presidi-las”.
Rwanda já havia se retirado da Eccas em 2007, mas retornou anos depois. A situação atual ocorre em meio a esforços de mediação dos Estados Unidos, com um plano de paz em discussão entre os dois países, que deve ser assinado ainda este mês.
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