A saída dos Estados Unidos da Convenção do Clima da ONU e a fragilidade do Acordo de Paris aumentam a urgência por soluções regionais para a crise climática. O historiador Dipesh Chakrabarty, em seu livro “O Global e O Planetário”, sugere que regiões como a Amazônia e o Himalaia devem adotar abordagens multilaterais. Ele critica o sistema da ONU, afirmando que ele se tornou obsoleto e que os interesses nacionais muitas vezes se sobrepõem às necessidades do planeta. Chakrabarty observa que a saída dos EUA pode levar outros países a ignorar regras climáticas em favor do crescimento econômico. Ele propõe que a gestão de áreas críticas, como a Floresta Amazônica e as geleiras do Himalaia, seja feita de forma regional, com a criação de um órgão para cuidar da saúde das geleiras, já que muitos países dependem dos rios dessa região. O Brasil pode trazer uma visão única na COP30, inspirada no trabalho do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, que pode ajudar a mudar a relação com a natureza e encontrar soluções para a crise climática.
Com a saída dos Estados Unidos da Convenção do Clima da ONU e a fragilidade do Acordo de Paris, a busca por soluções regionais se torna urgente. O historiador indiano Dipesh Chakrabarty, em seu livro “O Global e O Planetário”, defende que regiões como a Amazônia e o Himalaia precisam adotar abordagens multilaterais para enfrentar a crise climática.
Chakrabarty, professor da Universidade de Chicago, argumenta que o sistema da ONU para lidar com a crise climática se tornou obsoleto. Em entrevista ao GLOBO, ele destaca que a forma “global” de entender o mundo, centrada nos humanos, contrasta com a visão “planetária”, onde os seres humanos são apenas uma parte da engrenagem. O autor critica a maneira como os diplomatas abordam as negociações climáticas, enfatizando que os interesses nacionais muitas vezes se sobrepõem às necessidades planetárias.
A saída dos EUA do Acordo de Paris, segundo Chakrabarty, pode permitir que outros países ignorem as regras e priorizem o crescimento econômico. Ele menciona que, enquanto o IPCC defende a descarbonização até 2050, países como Índia e China pedem prazos mais longos para suas metas de descarbonização. O foco nas conferências climáticas pode se desviar para soluções tecnológicas, como captura de carbono, sem garantir resultados eficazes.
Abordagens Regionais
Chakrabarty sugere que a gestão de áreas críticas, como a Floresta Amazônica e as geleiras do Himalaia, deve ser feita de forma regional. Ele propõe a criação de um órgão que garanta a saúde das geleiras do Himalaia, considerando a interdependência dos países que dependem dos rios dessa região. A Amazônia, por sua vez, desempenha um papel vital para o planeta, e sua gestão também deve ser abordada em nível regional.
O autor destaca que o Brasil pode oferecer uma perspectiva única na COP30, citando o trabalho do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro sobre a visão de mundo indígena. Essa abordagem pode ajudar a transformar modos de vida e a relação com a natureza, contribuindo para soluções viáveis na crise climática.
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