Centenas de cristãos se reuniram em Damasco para protestar contra a perseguição religiosa após um atentado suicida em uma igreja que deixou 25 mortos. O ataque, atribuído ao grupo Estado Islâmico, ocorreu durante um culto noturno e gerou clamor por justiça e proteção. Os manifestantes carregaram cruzes e pediram ao governo sírio que tome medidas para garantir a segurança da comunidade cristã. A situação é preocupante, especialmente com a ascensão de políticos ligados a grupos islâmicos radicais. Embora o governo tenha aumentado a segurança nas áreas cristãs, muitos duvidam da eficácia dessas ações. A minoria cristã na Síria já enfrenta dificuldades desde o início da guerra civil em 2011, com cerca de 80% da população cristã deixando o país. A Portas Abertas, uma organização que apoia as igrejas locais, continua a oferecer assistência e aconselhamento.
Centenas de cristãos se reuniram em Damasco na noite de segunda-feira (23) para protestar contra a crescente perseguição religiosa na Síria. O ato ocorreu um dia após um atentado suicida na Igreja Ortodoxa Grega de Santo Elias, que deixou 25 mortos e dezenas de feridos durante um culto noturno. O ataque, classificado como “hediondo” pelo Patriarcado Ortodoxo Grego de Antioquia, foi atribuído a um homem-bomba ligado ao grupo Estado Islâmico, embora a autoria não tenha sido oficialmente reivindicada.
Os manifestantes carregavam cruzes e entoavam cânticos de fé, homenageando os mortos e clamando por justiça. “Mantenha sua cruz erguida! O sangue dos cristãos é precioso”, bradaram em uníssono. O Patriarcado exigiu que o governo sírio assuma “total responsabilidade” e tome medidas para proteger os cristãos e impedir novas violações.
O atentado intensificou o clima de medo entre a minoria cristã, que já enfrenta represálias desde a deposição do presidente Bashar al-Assad em dezembro de 2024. A ascensão de Ahmed al-Sharaa, um político ligado a grupos islâmicos radicais, preocupa ainda mais a comunidade. Especialistas alertam para uma escalada da perseguição religiosa, com o diretor do Lindisfarne Centre for the Study of Christian Persecution, Martin Parsons, afirmando que a situação é alarmante.
Reação do Governo e Comunidade Internacional
Após o ataque, o governo sírio aumentou o policiamento em áreas cristãs, mas há ceticismo sobre a eficácia dessas medidas. Um representante da Portas Abertas afirmou que as autoridades estão apenas “fingindo proteger os direitos de todos na Síria”. A pressão da islamização é visível, deixando cristãos em constante alerta. Uma jovem cristã expressou sua desesperança: “Perdi toda a esperança de que ainda houvesse alguma vida aqui para nós”.
A situação na Síria é crítica, com o país ocupando a 18ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2025 da Portas Abertas. Desde o início da guerra civil em 2011, cerca de 80% da população cristã deixou o país. A Portas Abertas continua a apoiar as igrejas locais, oferecendo assistência pastoral e aconselhamento sobre traumas.
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