- Uganda firmou um acordo com os Estados Unidos para receber deportados de terceiros países que não conseguiram asilo.
- O acordo exclui criminosos e menores desacompanhados.
- O Ministério das Relações Exteriores de Uganda não informou se haverá compensação financeira ou quantos deportados serão aceitos.
- Uganda já recebeu cerca de 1.700 solicitantes de asilo do Sudão e Eritreia enviados por Israel entre 2015 e 2018.
- Especialistas alertam que o país pode não ter a infraestrutura necessária para acomodar os deportados, levantando preocupações sobre a segurança deles.
Uganda firmou um acordo com os Estados Unidos para receber deportados de terceiros países que não conseguem asilo, excluindo criminosos e menores desacompanhados. A informação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores de Uganda, que não especificou se haverá compensação financeira ou quantos deportados serão aceitos.
O acordo destaca a preferência de Uganda por receber indivíduos de países africanos. O secretário permanente do ministério, Bagiire Vincent Waiswa, afirmou que os detalhes da implementação ainda estão sendo discutidos. Este movimento ocorre em um contexto em que os EUA buscam expulsar milhões de imigrantes indocumentados e solicitantes de asilo.
Nos últimos meses, os EUA já deportaram indivíduos para outros países, como Eswatini e Sudão do Sul, em operações que geraram controvérsia e resistência de ONGs locais. Em paralelo, a Ruanda também se comprometeu a aceitar deportados, oferecendo treinamento e assistência para reintegração.
Uganda, que já acolheu cerca de 1.700 solicitantes de asilo do Sudão e Eritreia enviados por Israel entre 2015 e 2018, tem uma longa história de receber refugiados, com quase 2 milhões de pessoas atualmente em seu território. Apesar da receptividade, especialistas alertam que o país pode não proteger adequadamente dissidentes políticos, levantando preocupações sobre a segurança dos deportados.
Recentemente, um funcionário do governo ugandense negou que o país tivesse a infraestrutura necessária para acomodar imigrantes, contradizendo informações de acordos com os EUA. Godwin Toko, do think tank Agora, destacou que Uganda pode usar essa parceria para ganhar influência com os EUA, mesmo sem ter os recursos adequados.
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