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ONG europeia denuncia ataque sem precedentes de guardacostas libios a barco de resgate

ONG SOS Méditerranée exige investigação após ataque da Guarda Costeira líbia ao Ocean Viking, que resgatava migrantes no Mediterrâneo

Um membro do 'Ocean Viking' mostra balas que, segundo a organização, foram disparadas contra seu buque pela Guarda Costeira libia no domingo. (Foto: Max Cavallari/AP)
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  • A ONG SOS Méditerranée denunciou um ataque ao barco de resgate Ocean Viking, ocorrido no último sábado em águas internacionais do Mediterrâneo.
  • Durante uma operação de resgate de 87 migrantes, a tripulação foi alvo de um tiroteio pela Guarda Costeira líbia, causando danos materiais, mas sem vítimas fatais.
  • O ataque aconteceu a cerca de 40 milhas náuticas da costa líbia, enquanto a embarcação seguia ordens do Centro de Coordenação Marítima da Itália.
  • A Guarda Costeira líbia, que já possui um histórico de violência, cercou o Ocean Viking e disparou contra ele, quebrando vidros e danificando equipamentos.
  • A ONG pediu uma investigação completa e a responsabilização dos envolvidos, além de solicitar que a União Europeia interrompa a colaboração com a Guarda Costeira líbia.

A ONG SOS Méditerranée denunciou um ataque à sua embarcação de resgate, o Ocean Viking, ocorrido no último sábado em águas internacionais do Mediterrâneo. Durante uma operação de resgate de 87 migrantes, a tripulação foi alvo de um tiroteio pela Guarda Costeira líbia, resultando em danos materiais significativos, mas sem vítimas fatais. A ONG classificou o incidente como uma “agressão deliberada inaceitável e sem precedentes” e exigiu uma investigação.

O ataque ocorreu a cerca de 40 milhas náuticas da costa líbia, enquanto o Ocean Viking seguia ordens do Centro de Coordenação Marítima da Itália. A Guarda Costeira líbia, que já possui um histórico de comportamentos violentos, cercou a embarcação de resgate e disparou contra ela, quebrando vidros e danificando equipamentos. A ONG relatou que os atacantes ameaçaram a tripulação por rádio, exigindo que deixassem a área sob pena de morte.

Colaboração da UE com a Líbia

A situação é ainda mais preocupante, pois a embarcação utilizada pela Guarda Costeira líbia foi doada pela Itália em 2023, como parte da missão da União Europeia para a gestão de fronteiras na Líbia. Desde 2014, a UE investiu 91,3 milhões de euros em Trípoli para a gestão migratória, com a Itália sendo o principal parceiro nesse esforço. Apesar dos investimentos, a ONG e outras organizações de direitos humanos têm documentado abusos graves contra migrantes na Líbia, incluindo tortura e violência.

Valeria Taurino, diretora da SOS Méditerranée na Itália, pediu uma investigação completa e a responsabilização dos envolvidos. Ela também solicitou que a UE interrompa a colaboração com a Guarda Costeira líbia, afirmando que “uma entidade que formula reclamações ilegais em águas internacionais não pode ser considerada uma autoridade competente”.

Reações e Implicações

A Comissão Europeia qualificou o ataque como “preocupante” e está buscando esclarecer os fatos. No entanto, até o momento, não houve uma condenação firme por parte das autoridades europeias ou do governo italiano. O Tribunal de Contas Europeu já havia alertado sobre a falta de controle nos fundos destinados à Líbia, que podem estar reforçando estruturas que cometem abusos.

O Ocean Viking, após o ataque, foi inspecionado pela polícia científica italiana em Augusta, onde os migrantes foram desembarcados. A ONG continua a exigir proteção para suas operações e um compromisso mais forte da comunidade internacional para garantir a segurança dos trabalhadores humanitários no Mediterrâneo.

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