- A ONG SOS Méditerranée denunciou um ataque ao barco de resgate Ocean Viking, ocorrido no último sábado em águas internacionais do Mediterrâneo.
- Durante uma operação de resgate de 87 migrantes, a tripulação foi alvo de um tiroteio pela Guarda Costeira líbia, causando danos materiais, mas sem vítimas fatais.
- O ataque aconteceu a cerca de 40 milhas náuticas da costa líbia, enquanto a embarcação seguia ordens do Centro de Coordenação Marítima da Itália.
- A Guarda Costeira líbia, que já possui um histórico de violência, cercou o Ocean Viking e disparou contra ele, quebrando vidros e danificando equipamentos.
- A ONG pediu uma investigação completa e a responsabilização dos envolvidos, além de solicitar que a União Europeia interrompa a colaboração com a Guarda Costeira líbia.
A ONG SOS Méditerranée denunciou um ataque à sua embarcação de resgate, o Ocean Viking, ocorrido no último sábado em águas internacionais do Mediterrâneo. Durante uma operação de resgate de 87 migrantes, a tripulação foi alvo de um tiroteio pela Guarda Costeira líbia, resultando em danos materiais significativos, mas sem vítimas fatais. A ONG classificou o incidente como uma “agressão deliberada inaceitável e sem precedentes” e exigiu uma investigação.
O ataque ocorreu a cerca de 40 milhas náuticas da costa líbia, enquanto o Ocean Viking seguia ordens do Centro de Coordenação Marítima da Itália. A Guarda Costeira líbia, que já possui um histórico de comportamentos violentos, cercou a embarcação de resgate e disparou contra ela, quebrando vidros e danificando equipamentos. A ONG relatou que os atacantes ameaçaram a tripulação por rádio, exigindo que deixassem a área sob pena de morte.
Colaboração da UE com a Líbia
A situação é ainda mais preocupante, pois a embarcação utilizada pela Guarda Costeira líbia foi doada pela Itália em 2023, como parte da missão da União Europeia para a gestão de fronteiras na Líbia. Desde 2014, a UE investiu 91,3 milhões de euros em Trípoli para a gestão migratória, com a Itália sendo o principal parceiro nesse esforço. Apesar dos investimentos, a ONG e outras organizações de direitos humanos têm documentado abusos graves contra migrantes na Líbia, incluindo tortura e violência.
Valeria Taurino, diretora da SOS Méditerranée na Itália, pediu uma investigação completa e a responsabilização dos envolvidos. Ela também solicitou que a UE interrompa a colaboração com a Guarda Costeira líbia, afirmando que “uma entidade que formula reclamações ilegais em águas internacionais não pode ser considerada uma autoridade competente”.
Reações e Implicações
A Comissão Europeia qualificou o ataque como “preocupante” e está buscando esclarecer os fatos. No entanto, até o momento, não houve uma condenação firme por parte das autoridades europeias ou do governo italiano. O Tribunal de Contas Europeu já havia alertado sobre a falta de controle nos fundos destinados à Líbia, que podem estar reforçando estruturas que cometem abusos.
O Ocean Viking, após o ataque, foi inspecionado pela polícia científica italiana em Augusta, onde os migrantes foram desembarcados. A ONG continua a exigir proteção para suas operações e um compromisso mais forte da comunidade internacional para garantir a segurança dos trabalhadores humanitários no Mediterrâneo.
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