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O homem que luta para salvar a cidade das bibliotecas da Mauritânia das dunas

Chinguetti, cidade das bibliotecas, enfrenta dunas, turismo em queda e insegurança por conflito no Mali; Terrachidia, com apoio espanhol, restaura bibliotecas para atrair recursos

Known as the city of libraries, Chinguetti was once a vital stop for travellers and the city grew into a hub for libraries preserving religious and scientific manuscripts. Photograph: Daouda Corera/The Guardian
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  • A cidade de Chinguetti, na Mauritânia, enfrenta avanços da desertificação, queda do turismo e instabilidade política no Mali.
  • Conhecida como a “cidade das bibliotecas”, Chinguetti é Patrimônio Mundial da UNESCO desde mil novecentos e noventa e seis e é um centro cultural e histórico.
  • O turismo caiu drasticamente após a Covid-19: antes recebia centenas de visitantes diários, hoje fica em cerca de duzentos turistas por temporada, refletindo insegurança e deterioração local.
  • A Al Ahmed Mahmoud Library, uma das duas bibliotecas ainda abertas, é gerida por Islam, que luta para preservar manuscritos e aumentar o interesse da população; estima-se que 90 por cento da Mauritânia seja desértica ou semiárida; a cidade já teve trinta bibliotecas familiares, mas agora tem doze, com mais de dois mil volumes.
  • Organizações como a Terrachidia, em cooperação com autoridades culturais locais e o governo espanhol, promovem restaurações; projeto cultural levou crianças para interagir com a história do ksar para revitalizar a comunidade e atrair recursos, mas o apoio financeiro continua insuficiente e a presença de visitantes limita a manutenção.

A cidade de Chinguetti, na Mauritânia, enfrenta desafios sérios devido ao avanço da desertificação, queda no turismo e instabilidade política no Mali. Conhecida como a “cidade das bibliotecas”, Chinguetti foi designada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1996 e é um importante centro cultural e histórico.

O turismo, que antes atraía centenas de visitantes diariamente, caiu drasticamente após a pandemia de Covid-19. Atualmente, a cidade recebe apenas cerca de 200 turistas por temporada, um reflexo da insegurança na região e da deterioração das condições locais. A desertificação avança, com as dunas já alcançando a altura das janelas de alguns edifícios.

Esforços de Preservação

A Al Ahmed Mahmoud Library, uma das duas bibliotecas ainda abertas ao público, é gerida por Islam, que luta para preservar os manuscritos e aumentar o interesse da população local. Segundo ele, 90% da Mauritânia é considerada desértica ou semiárida, e a situação se agrava a cada ano. A cidade, que já teve até 30 bibliotecas familiares, agora conta com apenas 12, abrigando mais de 2.000 volumes de textos científicos e religiosos.

Organizações como a Terrachidia, em colaboração com autoridades culturais locais e o governo espanhol, têm promovido restaurações nas bibliotecas. Recentemente, um projeto cultural trouxe crianças para interagir com a história e cultura do ksar, visando revitalizar a comunidade e atrair novos recursos.

Desafios e Futuro

Apesar das iniciativas, o apoio financeiro ainda é insuficiente. Promessas de ajuda não se concretizaram e a falta de visitantes limita as possibilidades de manutenção das bibliotecas. Islam enfatiza que, embora haja interesse internacional, a comunidade local precisa se engajar mais ativamente na preservação de seu patrimônio. A sobrevivência de Chinguetti depende não apenas da conservação de seus edifícios, mas também do retorno da vida à cidade.

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