- Papua Nova Guiné declara HIV como crise nacional, com epidemia entre as mais rápidas da região; estima-se 11 mil novos casos em 2024 e quase metade das infecções envolve crianças ou jovens com até 25 anos; 2.700 bebês teriam sido infectados em 2024.
- Cerca de 59% das pessoas living with HIV sabem que são positivas; transmissão de mãe para filho é um dos problemas mais graves, devido à falta de diagnóstico e tratamento adequados.
- O financiamento externo sofreu cortes, incluindo suspensão da ajuda dos Estados Unidos, afetando centenas de clínicas e salários de profissionais; Australia aumentou aportes para manter programas.
- O governo classificou o HIV como crise e criou plano de resposta emergencial com mais testagem, tratamento e apoio, mas depende fortemente de cooperação internacional para serviços de saúde e operações de centros.
- Clínicas como a Kaugere, em Port Moresby, tiveram salários suspensos e redução de atividades; autoridades dizem que é necessária autossuficiência financeira para enfrentar a epidemia.
Papua Nova Guiné declarou neste ano HIV como crise nacional, diante de um dos crescimentos mais rápidos da epidemia na região Ásia-Pacífico. Dados da UNAids apontam alta transmissão de mãe para filho, atraso no diagnóstico e tratamento, além de 59% das pessoas vivendo com HIV sem saber. Em 2024 houve cerca de 11 mil novos casos, com quase metade entre crianças e jovens até 25 anos; estima-se que 2.700 bebês nasceram com HIV no período.
A crise é marcada por lacunas na testagem, conscientização e financiamento, agravadas pela volatilidade de recursos internacionais. O país contabiliza uma dependência significativa de ajuda externa para serviços de prevenção, testagem e tratamento, dificultando a manutenção de estratégias já em curso.
Finanças e financiamento internacional
Este ano, os EUA suspenderam parte da ajuda externa, atingindo centenas de clínicas e programas. O governo de Port Moresby sinaliza responsabilidade pela entrega de medicamentos, mas serviços de apoio e trabalho comunitário dependeram fortemente de recursos internacionais. Algumas verbas foram retomadas em programas específicos, segundo autoridades locais.
A crise também ocorreu em meio a cortes globais de financiamento para a UNAids, gerando apreensão entre profissionais de saúde. Em contrapartida, a Austrália aumentou o aporte anual de desenvolvimento, elevando-o para quase A$ 10 milhões neste exercício e assegurando continuidade da presença da UNAids no país por mais dois anos.
Impacto local e resposta institucional
Clínicas públicas e religiosas que oferecem serviços de HIV sofreram com a redução de recursos, incluindo suspensão de salários. Na Clínica Kaugere, em Port Moresby, trabalhadores relataram retenção de remuneração e encerramento de atividades, afetando o atendimento à comunidade. Médicos e assistentes sociais passaram a atuar de forma voluntária para manter a assistência.
O Conselho Nacional de Aids cobra maior ação do governo para ampliar a testagem, o diagnóstico precoce e o tratamento, enfatizando que a transição para autonomia financeira é essencial. Autoridades destacam a necessidade de manter programas de prevenção e de suporte às famílias impactadas pela epidemia.
Perspectivas e próximos passos
A comunidade internacional reforça a necessidade de estável financiamento e maior independência de recursos externos. O ministério da saúde aponta planos de ampliar a testagem, reduzir a transmissão materno-infantil e melhorar o acesso a antirretrovirais. A atuação conjunta entre governo, parceiros globais e comunidades segue como eixo central para enfrentar a crise.
Entre na conversa da comunidade