- A deterioração econômica iraniana provocou a maior onda de protestos em anos, iniciada após a queda abrupta do valor da moeda e crescida a partir de Teerã para cerca de trinta e duas cidades.
- Os temores de repressão aumentaram depois de relatos de mortes entre as forças de segurança — ao menos dez pessoas foram mortas, com novas mortes registradas na noite anterior.
- As manifestações começaram com comerciantes fechando lojas e, aos poucos, passaram a incluir estudantes e ativistas, com palavras de ordem como “morte ao ditador” e “mulher, vida, liberdade”.
- O governo sinalizou abertura ao diálogo, com o presidente reformista Masoud Pezeshkian pedindo para ouvir as demandas legítimas, enquanto grupos de direitos humanos acusam as forças de segurança de usar força letal.
- A inflação, o aumento do custo de vida e uma nova taxação prevista para o ano novo iraniano intensificam os protestos, que se veem sem uma figura central desde as manifestações de Mahsa Amini em 2022.
O que aconteceu: protestos massivos e fragmentados tomaram várias cidades do Irã após uma drasticamente deteriorada condição econômica. O estopim foi a queda do valor da moeda, que intensificou a insatisfação com o governo. Milhares foram às ruas, com confrontos entre manifestantes e forças de segurança em várias regiões do país.
Quem está envolvido: estudantes, comerciantes e ativistas passaram a destoar da economia em ruínas, unindo-se a protestos que já contam com apoio de diferentes setores urbanos. Grupos de direitos humanos relatam uso de força por parte de autoridades, com prisões e feridos anunciados com frequência.
Quando aconteceu: o movimento ganhou corpo na semana passada, com a escalada de ações em diversas cidades após o início de dias de mobilização. Até o momento, relatos indicam ao menos 10 mortos em confrontos, além de dezenas de feridos e centenas de prisões.
Onde ocorreu: as manifestações começaram em Teerã e se expandiram para cerca de 32 cidades, incluindo áreas do norte, centro e sul do país. Vizinhanças comerciais, praças públicas e espaços de transporte foram pontos de concentração e de ataque a edifícios governamentais.
Por que ocorreu: a pressão econômica foi o motor principal, com inflação alta, custo de vida em ascensão e medidas fiscais controversas a serem implementadas. Economistas apontam fatores internos e sanções internacionais como agravadores da recessão e da desvalorização do rial.
Desdobramentos e resposta: o governo, liderado pelo presidente Masoud Pezeshkian, disse buscar diálogo e atender às demandas legítimas. Autoridades também enfrentam acusações de repressão, com organizações de direitos humanos citando prisões e vítimas.
Contexto adicional: o movimento ganhou contornos políticos ao tentar derrubar o regime, em meio a mensagens de resistência que lembram campanhas anteriores. Observadores destacam que, diferentemente de anos anteriores, as reivindicações são amplamente econômicas, embora o discurso inclua críticas ao sistema.
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