- Tendas doadas por China, Egito e Arábia Saudita oferecem proteção limitada contra chuva e vento: tecido não impermeável, estrutura fraca, sem piso e com pequenas janelas.
- Fortes tempestades nas últimas semanas derrubaram milhares de unidades, afetando pelo menos 235 mil pessoas, segundo estimativas da ONU.
- Tendas fornecidas por Qatar, Emirados Árabes Unidos e Nações Unidas foram consideradas dentro das especificações dos especialistas; as com origem na China, Egito e Arábia Saudita não atenderam aos padrões.
- A rede humanitária indica que muitas tendas novas devem ser substituídas; relatos de moradores destacam altos custos e falhas de abrigos de mercado.
- O contexto segue sob crise humanitária em Gaza, com milhões de deslocados e dificuldades contínuas para reconstrução e acesso a apoio externo.
Os últimos relatos sobre a assistência humanitária em Gaza apontam que milhares de tendas recebidas de China, Egito e Arábia Saudita oferecem proteção inadequada contra chuva e ventos fortes. Avaliação de especialistas em abrigos no território revela deficiências graves nesses fornecimentos.
A análise, realizada pelo Palestine Shelter Cluster — órgão que coordena quase 700 ONGs e é presidido pela Cruz Vermelha e pela ONU — aponta que as novas tendas podem precisar de substituição. O material é descrito como pouco resistente, não impermeável e com ventilação precária.
Segundo o estudo, as tendas importadas do Egito apresentam costuras frágeis, sem piso, com ingressos de água no teto. Tendas da Arábia Saudita são criticadas por tecido leve e estrutura fraca, enquanto as repassadas pela China também são consideradas pouco impermeáveis e inadequadas.
Fontes que acompanham o trabalho destacam que, ao contrário, unidades fornecidas pelo Catar, Emirados Árabes Unidos e pela ONU atenderam às especificações técnicas exigidas. A avaliação baseia-se em 9 mil respostas em redes sociais, além de observações de parceiros no terreno.
A propagação de danos ocorreu após rajadas de vento e tempestades que afetaram centenas de milhares de pessoas, com estimativas da ONU indicando pelo menos 235 mil deslocados em Gaza. O cenário de inverno agrava a necessidade de abrigos mais fortes e protegidos.
Enquanto isso, o governo israelense diz buscar acelerar a operação de suprimentos para o inverno, com promessas de mais de 25 mil toneladas de lonas e tendas para reforçar a proteção das famílias. Organizações humanitárias alertam para impactos se a logística for restringida.
Relatos de moradores descrevem a situação em acampamentos. Linda Abu Halima, 30 anos, descreve moradias degradadas e infiltrações constantes, sem condições de substituir o equipamento deteriorado. Muitos dependem de ajuda esporádica ou de doações privadas.
De acordo com autoridades palestinas, a mobilidade de pessoas não tem se traduzido em reconstrução. A maior parte da população de Gaza continua deslocada, com serviços básicos praticamente ausentes e infraestrutura comprometida há anos.
O relatório ressalta que, desde o cessar-fogo de outubro, apenas uma parcela modesta das tendas destinadas a Gaza foi fornecida por organismos internacionais, elevando a discussão sobre a qualidade do apoio direto de países. A avaliação sinaliza necessidade de revisão rigorosa dos padrões de doação.
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