Venezuelanos foram às ruas em diversos países neste sábado (3) para comemorar a captura do presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) por forças militares dos Estados Unidos. Vídeos e relatos compartilhados nas redes sociais mostram manifestações de alegria em cidades dos EUA, da Espanha, da Argentina, do Peru e também em território venezuelano, além de atos […]
Venezuelanos foram às ruas em diversos países neste sábado (3) para comemorar a captura do presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) por forças militares dos Estados Unidos. Vídeos e relatos compartilhados nas redes sociais mostram manifestações de alegria em cidades dos EUA, da Espanha, da Argentina, do Peru e também em território venezuelano, além de atos registrados no Brasil.
A notícia teve forte repercussão entre comunidades de imigrantes, que celebraram o que consideram o fim de um ciclo político marcado por autoritarismo, crise econômica e repressão. Em muitos locais, os encontros foram organizados de forma espontânea, reunindo famílias inteiras em praças e avenidas centrais.
Parte da população venezuelana agora deposita expectativa na posse do presidente eleito em 2024, Edmundo González (Mesa da Unidade Democrática, centro-direita). González é apoiado por líderes internacionais, entre eles o presidente da França, Emmanuel Macron (Renascimento, centro-direita), e é visto por opositores do chavismo como símbolo de uma possível transição democrática.
Operação militar dos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou neste sábado, por meio da rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar em território venezuelano que resultou na captura de Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores.
Segundo o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas norte-americanas, Trump autorizou a ação na noite de sexta-feira (2.jan). A operação ocorreu na madrugada de sábado e incluiu ataques a quatro alvos estratégicos no país. Aproximadamente 150 aeronaves participaram da ofensiva, partindo de diferentes pontos, com o objetivo de neutralizar sistemas de defesa aérea da Venezuela.
Ainda de acordo com os militares dos EUA, helicópteros transportaram tropas até Caracas para efetuar a captura de Maduro. A missão durou cerca de duas horas e vinte minutos. O governo norte-americano classificou a ação como bem-sucedida, enquanto aliados do chavismo denunciaram violação da soberania venezuelana.
Êxodo e reação da diáspora
Durante os anos de governo Maduro, a Venezuela enfrentou um dos maiores êxodos migratórios da história recente. Desde 2014, cerca de 7,7 milhões de venezuelanos – o equivalente a 20% da população – deixaram o país, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), ligada à ONU.
A Colômbia abriga a maior parcela dessa diáspora, com cerca de 2,8 milhões de venezuelanos, seguida pelo Peru, com aproximadamente 1,7 milhão, de acordo com a plataforma R4V, rede de ONGs que presta assistência a migrantes e refugiados venezuelanos.
Em Santiago, no Chile, a venezuelana Khaty Yañéz celebrou a notícia. “Somos livres. Estamos todos felizes com a queda da ditadura e com o fato de termos um país livre”, afirmou. Já o venezuelano José Gregorio resumiu o sentimento de alívio: “Depois de tantos anos, depois de tantas lutas, hoje é o dia da liberdade”.
Celebrações na Europa e nas Américas

Na Espanha, milhares de venezuelanos se reuniram na Puerta del Sol, no centro de Madri. Muitos acompanharam ao vivo uma coletiva de imprensa de Donald Trump, aplaudindo e exibindo bandeiras da Venezuela. Também houve registros de comemorações em Buenos Aires, na Argentina, e em cidades dos Estados Unidos, onde comunidades venezuelanas realizaram buzinaços e atos públicos.
No Peru, dezenas de pessoas se concentraram em praças de Lima, muitas enroladas na bandeira venezuelana, celebrando a deposição de Maduro enquanto entoavam palavras de ordem contra o chavismo.
Comemoração no Brasil
No Brasil, a celebração ganhou destaque em Boa Vista, capital de Roraima, uma das principais portas de entrada de venezuelanos no país. Centenas de migrantes se reuniram desde o início da noite deste sábado na praça do Centro Cívico, que abriga os três Poderes estaduais.
O clima no local foi descrito como de “final de Copa do Mundo”. Houve queima de fogos, buzinaços e carros circulando com a frase “Venezuela Libre” escrita nos vidros, enquanto músicas típicas do país vizinho eram tocadas em alto volume. Em meio ao ato, um veículo chegou a erguer a bandeira dos Estados Unidos, gesto interpretado como apoio à operação militar norte-americana.
Exibindo bandeiras venezuelanas, famílias inteiras beberam, dançaram e celebraram ao longo da noite. A comemoração avançou pela madrugada de domingo (4.jan), marcada por abraços, cantos e manifestações de esperança sobre o futuro político da Venezuela.
Incertezas sobre o futuro
Após a euforia inicial, dúvidas começaram a surgir entre venezuelanos dentro e fora do país. Há incerteza sobre a transição de poder, o papel das Forças Armadas venezuelanas e os desdobramentos diplomáticos da ação dos EUA.
Autoridades ligadas ao governo chavista reagiram. A vice-presidente declarou que “a Venezuela nunca será colônia de nenhuma nação”, sem mencionar qualquer posse formal como presidente, apesar de declarações do governo norte-americano. Paralelamente, a Venezuela retirou bloqueios e reabriu fronteiras, enquanto países vizinhos, como o Brasil, reforçaram a segurança nas áreas fronteiriças.
Enquanto isso, para milhões de venezuelanos espalhados pelo mundo, o momento é visto como histórico, uma mistura de celebração, alívio e expectativa diante de um futuro ainda incerto para o país.
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