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Produção de petróleo da Venezuela pode impactar investimentos no Brasil

A expansão da produção venezuelana pode acirrar a disputa global por investimentos, forçando o Brasil a ampliar sua competitividade para atrair recursos

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Por Revisado por: Time de Jornalismo Portal Tela
Extração de petróleo da PDVSA em novembro de 2023: perspectivas ainda são consideradas incertas na indústria venezuelana (Foto: Gaby Oraa/Bloomberg)
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  • Sob orientação dos Estados Unidos, a Venezuela pode se tornar um player relevante na disputa por investimentos globais em petróleo, apesar de ter respondido por apenas 0,8% da produção mundial em 2023, mesmo possuindo cerca de dezessete por cento das reservas provadas no período.
  • Custos de produção e de cadeia produtiva vêm subindo, enquanto o preço do barril tem se mantido em queda, o que pode dificultar a captação de recursos para novos projetos no setor.
  • Segundo a Rystad Energy, manter a produção atual na Venezuela até 2040 exigiria aproximadamente US$ 36 bilhões; acelerar para 1,4 milhão de barris por dia até 2027 exigiria recursos adicionais nos próximos 18 meses; alcançar 3 milhões de bpd ocorreria com cerca de US$ 180 bilhões entre 2026 e 2040.
  • A produção venezuelana é majoritariamente controlada pela PDVSA e tende a explorar basins onshore e rasos, com impactos diferentes para o Brasil, que hoje opera mais em águas profundas; não há garantia de ganho de participação de exportações brasileiras.
  • O cenário depende de sanções e do ambiente legal, político e empresarial da Venezuela; sem fim das sanções e mudanças profundas, investimentos no país continuam incertos e demoram a se materializar.

A produção de petróleo na Venezuela, sob orientação dos Estados Unidos, pode intensificar a competição por investimentos na indústria global nos próximos anos. A análise aponta que o Brasil enfrentará novos desafios para atrair recursos, diante do aumento de custos na cadeia produtiva e da tendência de queda no preço do barril.

Dados da Administração de Informação de Energia (EIA) indicam que, ao final de 2023, a Venezuela possuía cerca de 17% das reservas provadas globais, mas respondeu por apenas 0,8% da produção mundial de petróleo. A informação embasa a leitura de que o país conserva grande potencial, ainda que com produção relativamente baixa.

A&M Infra vê a Venezuela como potencial player em projetos globais de grande escala no médio e longo prazo. Rivaldo Moreira ressalta que o Brasil precisa manter a competitividade para captar investimentos na exploração de novas reservas, sob risco de redirecionamento de capital para a Venezuela caso este país avance.

A Venezuela concentra a maior parte de sua produção na estatal PDVSA, com fontes de petróleo onshore e em águas rasas. Isso contrasta com o Brasil, cuja produção é majoritariamente em águas profundas e ultraprofundas, gerando diferentes desafios exploratórios.

Na visão da Rystad Energy, os custos de produção e da cadeia de suprimentos têm subido, enquanto os preços do barril recuam, o que dificulta a viabilização de novos projetos. A empresa aponta que manter o nível atual de produção venezuelano entre 2026 e 2040 exigiria cerca de US$ 36 bilhões em investimentos, mesmo com leve decréscimo.

Para acelerar a produção até cerca de 1,4 milhão de bpd, a Venezuela precisaria de aportes adicionais no período 2026-2040, segundo a análise da Rystad. Em 2027, seria possível elevar a produção em até 40% em relação aos níveis de hoje, desde que os recursos ingressem no país nos próximos 18 meses, afirma Faucz.

Para alcançar o patamar de 3 milhões de bpd, pico histórico nos anos 1970, a estimativa da Rystad aponta a necessidade de aproximadamente US$ 180 bilhões no mesmo intervalo de tempo. A visão é de que o financiamento total exigido seja grande e dependente de mudanças no ambiente político e regulatório.

Diferenças de produto e impactos no mercado global

O petróleo venezuelano é predominantemente pesado, o que difere do mix produzido no Brasil, que apresenta uma faixa entre leve e pesado com a evolução do pré-sal. Especialistas destacam que o aumento da produção venezuelana não necessariamente altera o market share brasileiro.

Organizações internacionais apontam que as refinarias chinesas absorvem grande parte das exportações venezuelanas, seguidas pelos Estados Unidos, onde a Chevron permanece atuante. O frete e o uso da chamada frota sombra também entram no cenário, com impactos potenciais sobre contratos de transporte.

A China exerce influência relevante na indústria venezuelana, especialmente por meio de investimentos upstream. A relação financeira entre Venezuela e parceiros asiáticos envolve dívidas atreladas ao petróleo. No cenário atual, não se observa escassez global de petróleo, o que ajuda a mitigar pressões de preço diante de tensões regionais.

Perspectivas e incertezas

Especialistas ressaltam que o ambiente de sanções e possíveis mudanças no quadro institucional da Venezuela determinam o ritmo de retomada da produção. A transição para investimentos privados dependeria de estabilidade regulatória e de um ambiente de negócios mais previsível, o que permanece incerto.

As projeções indicam que o cenário de oferta global pode permanecer volátil, com o Brent operando em patamares em torno de US$ 61-US$ 62 por barril mesmo diante de possíveis alterações geopolíticas. A avaliação aponta que, sem mudanças significativas, o equilíbrio entre oferta e demanda pode permanecer desafiador nos próximos anos.

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