- Dozens de autores, jornalistas, personalidades da mídia e uma patrocinadora anunciaram boicote ao Adelaide festival após a retirada de Randa Abdel-Fattah da programação da semana de escritores, em meio a preocupações com sensibilidade cultural após o ataque em Bondi.
- Entre os confirmados a aderir ao movimento estão a vencedora do Miles Franklin, Michelle de Kretser, as escritoras Jane Caro e Peter FitzSimons, a cofundadora da Cheek Media, Hannah Ferguson, o jornalista e acadêmico Peter Greste, a acadêmica e escritora Chelsea Watego e a repórter Amy Remeikis.
- Abdel-Fattah, pesquisadora da Macquarie University, iria participar novamente do evento no mês seguinte, após já ter comandado painéis em 2023; o conselho do festival afirmou que não seria culturalmente sensível a mantê-la na programação tão próximo ao ocorrido em Bondi.
- A decisão gerou críticas de parte do público e da comunidade literária, com algumas vozes alegando discriminação e censura; entre apoiadores, o ex-governador Bob Carr opinou que o festival continua a apoiar vozes palestinas e defendeu a decisão.
- A Australia Institute, think tank de polótica pública, retirou o patrocínio ao evento de 2026, citando a defesa da liberdade de expressão e do debate de ideias; Abdel-Fattah pediu retratação e reinstalação do convite.
Dozens de autores, jornalistas e personalidades da mídia estão boicotando o Adelaide Writers’ Week após a organização retirar a escritora palestino-australiana Randa Abdel-Fattah do lineup. O festival justifica a decisão pela necessidade de evitar “sensibilidade cultural” em meio ao ataque de Bondi. Abdel-Fattah não participaria neste ano.
Na lista de confirmados até sexta-feira para o boicote aparecem vencedora do Miles Franklin Michelle de Kretser, as escritoras Jane Caro e Peter FitzSimons, a cofundadora da Cheek Media Hannah Ferguson, o jornalista Peter Greste, a acadêmica Chelsea Watego e a repórter Amy Remeikis. Autoras como Bri Lee e Madeleine Gray também sinalizaram não participarão caso Abdel-Fattah não seja reintegrada.
Participantes e motivações
A decisão de retirar Abdel-Fattah ocorreu após críticas persistentes a declarações da escritora sobre Israel, associadas por críticos a posicionamentos contestados. A figura enfrenta críticas de setores políticos e de algumas entidades judaicas, além de cobertura de veículos.
O festival havia anunciado a participação de Abdel-Fattah como parte de atividades de 2023, e esperava-se que voltasse a colaborar neste ano. O argumento da organização é de que, no momento, sua programação não seria compatível com o clima culturalmente sensível do evento.
Repercussões e desdobramentos
Além dos nomes acima, Bri Lee e Madeleine Gray disseram que participariam apenas se Abdel-Fattah fosse reinserida. O think tank Australia Institute também retirou seu patrocínio para o festival de 2026, citando a defesa da liberdade de expressão e do debate de ideias.
Declarações públicas destacam que a controvérsia envolve, de um lado, a defesa de vozes palestinas; de outro, preocupações sobre linguagem que poderia alimentar atritos ou discriminação. Abdel-Fattah, em declaração, descreveu a decisão como uma reação anti-palestina e pediu desculpas, retratação e reinserção no lineup.
Contexto e próximos passos
A diretora do Adelaide Writers’ Week, Louise Adler, já enfrentou episódios semelhantes no passado ao lidar com convites a escritores palestinos. A discussão envolve equilíbrio entre expressão cultural e responsabilidade institucional diante de eventos traumáticos.
A organização foi contatada para comentar, sem que fosse divulgado retorno até o fechamento deste texto. O posicionamento das partes permanece sob escrutínio público, com novos desdobramentos possíveis nas próximas semanas.
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