- Lideranças da igreja underground Early Rain Covenant Church foram detidas em Deyang, Sichuan: Li Yingqiang, Zhang Xinyue, Dai Zhichao e Ye Fenghua.
- Pelo menos mais quatro membros foram detidos e depois liberados; outros ainda estão sem contato.
- Prisões ocorrem após a detenção de dezoito membros seniores da Zion Church, em uma operação nacional anterior.
- Organizações de direitos humanos apontam repressão do governo chinês a igrejas não registradas e maior controle ideológico.
- A igreja pediu que seus membros permaneçam firmes na fé diante da perseguição.
Leaders da igreja underground foram detidos no sudeste da China, segundo um comunicado da igreja. Li Yingqiang, líder da Early Rain Covenant Church, foi levado pela polícia de sua casa em Deyang, Sichuan, na terça-feira. A esposa dele, Zhang Xinyue, também foi detida, junto com dois membros: Dai Zhichao, pastor, e Ye Fenghua, leigo. Vários demais parceiros foram levados e alguns já foram liberados.
O episódio ocorre um mês após uma série de detenções contra igrejas não registradas. Em outubro, 18 membros seniores da Zion Church foram presos, em uma operação nacional. Em dezembro, a Human Rights Watch informou a detenção de cerca de 100 seguidores de outra igreja informal em Zhejiang, após protesto contra demolição de um templo.
Contexto internacional
Especialistas de direitos humanos veem a ação como parte de um endurecimento contra igrejas domésticas. A pesquisadora chinesa Yalkun Uluyol afirma que o governo intenta restringir atividades religiosas não sancionadas pelo Partido Comunista, enquadrando-as como desobediência ideológica.
Uma pessoa ligada ao Early Rain foi convocada por acusações genéricas de criar confusão, prática comum para enquadrar dissidência. Ainda não há confirmação sobre acusações formais para os detenidos restantes. As delegacias de Deyang e Chengdu não comentaram o caso.
O Early Rain é conhecido por realizar cultos em encontros privados, não em locais autorizados pelo Estado. O fundador Wang Yi, articulista e ativista detido em 2019, figura como referência internacional em debates sobre liberdade religiosa na China.
Analistas ressaltam que a repressão visa reduzir a influência de comunidades religiosas fora do espaço regulado. O governo chinês tem adotado medidas para controlar a expressão religiosa e intensificou a supervisão de atividades online desde setembro.
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