- Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, hoje com 94 anos, esteve em tribunal em Hong Kong por não registrar um fundo de apoio a ativistas presos durante o movimento pró-democracia de 2019.
- Foi condenado pela acusação de manter uma entidade não registrada; teve o passaporte confiscado e recebeu multa de $512.
- Mesmo com a idade avançada, Zen mantém atuação pública, incluindo celebração de missa em latim com adereço dourado, sinalizando posição conservadora na igreja.
- Possui histórico de defesa da liberdade em Hong Kong e críticas a acordos entre o Vaticano e o governo chinês, especialmente o acordo provisório de 2018 sobre a nomeação de bispos.
- Zen critica a influência do regime chinês na Igreja na China e, ao longo dos anos, manteve relações próximas ao Vaticano enquanto sustenta posição em defesa dos direitos religiosos.
Joseph Zen Ze-kiun, cardeal emérito de Hong Kong, permanece ativo apesar da idade avançada. Há três anos ele enfrentou um processo em Hong Kong por não registrar um fundo de apoio a ativistas presos durante o movimento pró-democracia de 2019. Os detalhes do caso foram objeto de cobertura internacional.
No mês passado, Zen participou de uma celebração na paróquia de Hong Kong, onde utilizou um cálice dourado como suporte para a Eucaristia, numa mensagem pública sobre visão conservadora da Igreja. Ele tem usado gestos simbólicos para marcar posições dentro da Igreja local.
Zen, que hoje completa 94 anos, tornou-se uma voz de resistência frente a tensões entre governos e instituições religiosas. Nomeado bispo de Hong Kong em 2002, ele defendeu a justiça social e a proteção aos pobres, mesmo diante de pressões oficiais e restrições da igreja estatal chinesa.
Contexto histórico
Desde 1951, quando o governo chinês rompeu relações diplomáticas com o Vaticano, a Igreja na China enfrentou supervisão estatal. A criação da CCPA em 1957 ampliou o controle sobre a igreja local, influenciando decisões pastorais e administrativas.
Trajetória e atuação
Zen iniciou a carreira sacerdotal em 1961 e recebeu doutorado na Itália. Em 1996 foi nomeado auxiliar episcopal em Hong Kong, ganhando notoriedade por defender liberdades civis e a autonomia educativa católica frente a políticas governamentais.
Controvérsias recentes
Em 2019, Zen participou da fundação do fundo 612 Humanitarian Relief Fund, para ajudar ativistas presos. Foi condenado por liderar uma entidade não registrada; teve passaporte confiscado e recebeu multa de 512 dólares. Zen afirmou defender os oprimidos diante das autoridades.
Relações com o Vaticano
Ao longo dos anos, Zen manteve diálogo próximo com o Vaticano, apoiando iniciativas do papa, embora tenha criticado alguns acordos bilaterais com Pequim. Em 2020, 2022 e 2024 houve renovação de entendimentos sobre nomeação de bispos, alvo de críticas do cardeal.
Posição pública
Zen aponta para a necessidade de reformas na governança e na relação entre Igreja e Estado, com foco na liberdade religiosa em Hong Kong. Ele sustenta que a Igreja deve defender princípios de integridade, justiça e solidariedade aos pobres, sem abrir mão de seus valores.
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