- Min Aung Hlaing afirmou que pode abrir espaço para um novo governante após as eleições gerais, não anunciando qual posição ocupará.
- O general tem mantido controle ao distribuir funções lucrativas ligadas aos militares a alguns oficiais e ao mesmo tempo deteve outros, fortalecendo aliados.
- Diplomacia externa, especialmente com a China, sustenta o apoio à junta e ajuda em frentes de combate, segundo relatos.
- Entre os leais está Than Swe, ex-embaixador junto às Nações Unidas, que atua como ministro das Relações Exteriores e orienta Hlaing na reaproximação com a ASEAN.
- As eleições atuais colocam o Partido de Unidade Nacional (apoiado por generais reformados) na liderança provisória; o papel futuro de Hlaing — e a possibilidade de indicar um sucessor militar — ainda é debatido.
Min Aung Hlaing mantém controle sobre a junta no Myanmar por meio de pactos entre oficiais e a nomeação de leais a cargos-chave, mesmo diante de detenção de alguns comandantes. A estratégia busca manter o regime estável sem abrir mão de influência sobre o aparato militar.
Analistas apontam que parte da manobra envolve distribuir posições lucrativas em negócios ligados ao aparato militar a generais próximos, enquanto outros oficiais são afastados. A sobrevivência do regime permanece ligada à sobrevivência de suas elites.
Entre os leais, Than Swe atua como ministro das Relações Exteriores e tem servido como tutor de Min Aung Hlaing em assuntos diplomáticos, inclusive para que o junta reconquiste espaço junto a blocos regionais. China tem sido apoio importante ao regime.
Pacto de poder
A gestão do poder envolve manter cargos estratégicos para oficiais com experiência em lidar com líderes estrangeiros, segundo fontes próximas. O objetivo é preservar vínculos dentro do alto escalão e evitar rivais internos.
O apoio externo, especialmente de Beijing, tem ajudado a junta a avançar em frentes limitadas e a reconstruir relações diplomáticas com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que congelou laços após o golpe.
Min Aung Hlaing já demonstrava interesse político antes do golpe, quando comandava as Forças Armadas. O regime anterior havia limitado o papel militar, mas o general manteve contatos com líderes comunitários, fortalecendo a percepção de que age para preservar a unidade nacional.
Em meio à eleição
Após votar em Naypyidaw, Min Aung Hlaing afirmou não ser líder de partido nem afirmar planos de cargos políticos, mas indicou que pode indicar um sucessor para o comando militar e assumir um papel político no futuro. A estrutura constitucional dá poderes ao presidente, mas mantém o controle militar sobre áreas estratégicas.
Resultados preliminares indicam vantagem do Partido União de Solidariedade e Desenvolvimento, formado por generais reformados. A data de divulgação dos resultados finais não foi anunciada.
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