- O avião dos EUA que realizou o primeiro ataque a um barco suspeito de tráfico no Caribe teria sido disfarçado de civil, segundo o New York Times.
- A munição estaria ocultada na fuselagem, e não visível sob as asas, conforme a reportagem.
- O ataque de 2 de setembro deixou 11 venezuelanos mortos, incluindo dois sobreviventes que estavam entre destroços quando foram atingidos pela segunda vez.
- O governo venezuelano negou que as vítimas fossem membros de gangues; Washington não apresentou provas de envolvimento com tráfico.
- Especialistas em direito internacional afirmam que, mesmo sob guerra, o uso de disfarce civil configuraria perfidia, considerado crime de guerra; o Pentágono afirma ter empregado aeronaves diversas, com mudanças após o episódio.
O avião dos EUA que realizou o primeiro ataque aéreo contra um barco suspeito de tráfico de drogas no Caribe teria sido disfarçado de avião civil, segundo o jornal New York Times. A aeronave, cuja identidade militar teria sido ocultada, bombardeou o barco em setembro do ano passado, de forma a surpreender os alvos durante a operação.
Segundo a matéria, as munições ficavam escondidas na fuselagem e não sob as asas, o que dificultaria a identificação do caráter militar da aeronave. O ataque causou a morte de 11 venezuelanos, incluindo dois sobreviventes que já estavam em meio aos destroços quando foram atingidos pela segunda vez.
O governo venezuelano contestou a versão de que as vítimas eram integrantes de quadrilhas, e Washington não apresentou provas de envolvimento em tráfico de drogas. A administração Trump realizou mais de 120 mortes em 35 ataques a barcos menores no Caribe e no Pacífico, em suposta campanha anti-narcóticos, até o ataque direto à Venezuela neste mês.
Implicações legais
Especialistas em direito internacional divergem sobre a legalidade das ações. Se a operação for enquadrada como conflito armado, o uso de uma aeronave disfarçada de civil para surpreender alvos seria considerado perfídia, de acordo com padrões legais internacionais e manuais militares dos EUA. A prática é vista por alguns como crime de guerra, mesmo diante de alegações de guerra contra cartéis.
Analistas ressaltam que, sem conflito armado reconhecido, a discussão sobre “perfídia” pode perder relevância, havendo, segundo eles, uma questão de execução extrajudicial. Estudos jurídicos citados destacam que a prática de se apresentar como não hostil para atingir objetivos militares contraria princípios de proteção de combatentes e civis.
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