- Médico em Teerã relatou mais de quatrocentos ferimentos oculares por tiros em um único hospital, durante a repressão às manifestações.
- Profissionais de saúde dizem que os feridos chegam em grande volume, com lesões nos olhos e na cabeça; alguns pacientes tiveram que ter o olho removido.
- O movimento de protesto já deixou mais de dois mil mortos e mais de dezesseis mil presos, segundo a HRANA. A maioria das vítimas seriam manifestantes.
- O governo suspendeu internet e serviços móveis no país, dificultando a comunicação e a cobertura dos eventos.
- Testemunhos indicam que as forças de segurança miram deliberadamente olhos e cabeça para incapacitar protestantes; grupos de direitos humanos acusam uso de armas letais.
Um médico oftalmologista de Teerã relatou que, em um único hospital da capital, houve mais de 400 ferimentos oculares causados por tiros durante o atual crackdown contra manifestantes. Os profissionais de saúde descrevem um quadro de hospitais sobrecarregados, com emergências lotadas e pacientes feridos gravemente.
Segundo relatos recebidos por meio de mensagens, equipes médicas enfrentam dificuldade para atender aos feridos. Muitos pacientes apresentam lesões na cabeça e nos olhos, com casos de necessidade de extração de olhos e cegueira. Manejo de ferimentos ocorre sob condições adversas, incluindo falta de espaço e de suprimentos.
O confronto teve início em 28 de dezembro, em meio a protestos nacionais contra a economia e o governo. As manifestações ganharam escala sem precedentes desde 2009, com multidões diariamente nas ruas e câmeras apontando para repressão policial. A internet foi bloqueada em todo o país, dificultando o fluxo de informações.
Dados de organizações de direitos humanos indicam que mais de 2 mil pessoas morreram e mais de 16 mil foram detidas nos últimos dias. A maioria das mortes é atribuída a forças de segurança, segundo HRANA. Criou-se um ambiente de silêncio e restrição de comunicação fora das áreas de atuação médica.
Profissionais de saúde relatam condições parecidas com zonas de conflito, com atendimento improvisado em áreas abertas e temperaturas extremas. Em alguns casos, forças de segurança teriam entrado em hospitais para prender feridos. Médicos destacam o impacto emocional sobre equipes, que trabalham exaustas e sob tensão constante.
Especialistas em direitos humanos apontam que, mesmo com o uso de armas consideradas menos letais, houve prática deliberada de mirar órgãos vitais para provocar mutilação permanente. Registros de pacientes incluem ferimentos no ombro, no abdômen e no quadril, além de danos oculares.
As autoridades iranianas atribuem os esforços de violência aos protestos, afirmando haver intervenções de terceiros e mostrando vídeos de supostos infratores. Organizações de direitos humanos ressaltam o desequilíbrio entre o retrato internacional e a realidade observada no terreno, com mortes e ferimentos não totalmente captados pela divulgação externa.
A situação permanece volátil, com novos relatos chegando de várias cidades do país. Organizações de defesa dos direitos humanos destacam a necessidade de apuração independente e proteção de civis, frente a ataques que têm impactado principalmente manifestantes.
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