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Protestos no Irã: Tudo que você precisa saber sobre a onda de manifestações que já deixou 2 mil mortos

Revoltas começaram por motivos econômicos e evoluíram para críticas ao regime teocrático instaurado em 1979

Pedro Menezes
Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel

Há três semanas, o Irã passa por uma grande onda de manifestações em todo o país, que se espalhou pelas 31 províncias. Nesta terça-feira (13), um membro do governo iraniano informou à agência de notícias Reuters que aproximadamente 2 mil pessoas morreram em decorrência dos protestos, chamou os manifestantes de “terroristas” e os responsabilizou pela […]

Há três semanas, o Irã passa por uma grande onda de manifestações em todo o país, que se espalhou pelas 31 províncias. Nesta terça-feira (13), um membro do governo iraniano informou à agência de notícias Reuters que aproximadamente 2 mil pessoas morreram em decorrência dos protestos, chamou os manifestantes de “terroristas” e os responsabilizou pela morte de cidadãos e de agentes de segurança.

Como os protestos começaram?

As manifestações começaram no fim de dezembro, no dia 28, motivadas pelo estado atual do governo, que registra uma taxa anual de inflação de 40% e enfrenta forte desvalorização da moeda local, o rial iraniano, com o dólar cotado a mais de 1,4 milhão de riais.

O epicentro das manifestações foi o Grande Bazar de Teerã, onde comerciantes se revoltaram contra a situação econômica e decisões do governo. A crise, no entanto, continuou a se agravar, com itens básicos como carne, arroz e óleo de cozinha desaparecendo dos estabelecimentos e a criação de uma nova faixa de preços para a gasolina, que até então era considerada um dos combustíveis mais baratos da região.

A principal motivação para o aumento dos preços foi a imposição de sanções dos Estados Unidos e de países europeus contra o país, em razão de seus investimentos em armas nucleares. Esse cenário levou comerciantes a elevar os preços e, em alguns casos, a fechar as lojas.

A situação se agravou ainda mais após uma decisão do Banco Central de encerrar um programa que permitia a alguns importadores comprar dólares a preços inferiores aos do mercado. A medida levou mais comerciantes a fechar as portas diante do cenário econômico do país.

De início, o Irã tentou aliviar a situação ao oferecer um pagamento mensal de US$ 7 à população, medida que não conteve os protestos.

A escalada dos protestos e a repressão violenta do Irã

O que começou com protestos liderados principalmente por comerciantes passou a envolver estudantes, alcançou outras categorias de trabalhadores e se espalhou por todo o país. Com isso, as manifestações deixaram de ter apenas motivações econômicas e comerciais ligadas à forte desvalorização do país e passaram a incluir críticas ao regime teocrático iraniano, com manifestantes exibindo faixas com dizeres como “Morte ao ditador”.

O Irã respondeu aos protestos com violência extrema, com cerca de 2 mil mortos até o momento. O procurador-geral do país, Mohammad Movahedi-Azad, afirmou que qualquer pessoa envolvida nas manifestações seria considerada “inimiga de Deus”, classificação que, no país, pode resultar em pena de morte.

Ali Khamenei afirmou que o governo não vai recuar e chamou os manifestantes de vândalos. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã declarou que não haverá perdão para os chamados sabotadores. O país também marcou a execução de um manifestante para a próxima quarta-feira (14). Erfan Soltani, de 26 anos, foi preso na última quinta-feira (8) por ter ligação com os protestos.

Além disso, o Irã suspendeu a conexão à internet no país e dificultou a realização de ligações telefônicas, o que intensificou os protestos ao deixar a população ainda mais isolada da situação que enfrentava. Até agora, mais de 10 mil pessoas foram presas em decorrência das manifestações.

Outros países respondem a situação

Os protestos e, sobretudo, a forma como o Irã reagiu repercutiram em todo o mundo e geraram declarações de autoridades estrangeiras. Entre elas, do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na segunda-feira (12) anunciou que qualquer país que firmasse acordos com o Irã estaria sujeito a uma tarifa geral de 25%. Ele também afirmou que encerrou o diálogo com Teerã e orientou os manifestantes a “tomarem instituições”.

“Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR — TOMEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guarde os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um grande preço. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que essa matança sem sentido de manifestantes ACABE. AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!!”  disse Trump na sua rede social Truth Social.

Anteriormente, Trump também havia ameaçado o país ao afirmar que, caso os manifestantes fossem reprimidos com violência, haveria possibilidade de intervenção, com insinuação de uma invasão. Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, repreendeu as declarações do líder americano e disse que, em caso de ataque, os chamados territórios ocupados, em referência a Israel, e todas as bases dos Estados Unidos seriam alvos.

Volker Türk, alto comissário das Nações Unidas, também manifestou choque com a repressão violenta sofrida pelos manifestantes no país.

“É também extremamente preocupante ver declarações públicas de algumas autoridades judiciais indicando a possibilidade de a pena de morte ser aplicada contra manifestantes por meio de processos judiciais acelerados” declarou Türk em um comunicado oficial.

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