- Há um cisma entre monarquistas, apoiadores de Reza Pahlavi, e o grupo esquerdo mais organizado Mujahedin-e Khalq (MEK), ainda antes da Revolução de 1979.
- A divisão tem se manifestado online e em discussões acaloradas durante protestos em cidades da Europa e da América do Norte.
- O apoio dentro do Irã é difícil de medir; analistas costumam dizer que as vocações oposicionistas são mais fortes entre os emigrantes do que dentro do país.
- Opiniões de diplomatas divergem sobre o papel de Pahlavi, com alguns destacando potencial alcance entre manifestantes e outros afirmando que ele precisaria de uma coalizão democrática mais ampla.
- O MEK é visto com desconfiança por muitos iranianos e foi banido no passado; sua liderança não é reconhecida no território iraniano, mantendo influência limitada.
Durante duas semanas de protestos violentos, opositores exilados do Irã se mobilizaram em várias cidades, incluindo Paris. A Justiça investigou relatos de apoio externo, enquanto a oposição buscava unidade frente à República Islâmica. A divisão interna persiste entre facções que antes atuavam separadamente online e nas ruas da Europa e América do Norte.
O núcleo do embate é entre monarquistas que apoiam Reza Pahlavi, filho do shah deposto, e o grupo de esquerda conhecido como Mujahedin-e Khalq (MEK). Os dois lados mantêm agendas distintas, mesmo diante do descontentamento com o governo iraniano.
Reza Pahlavi, exilado nos Estados Unidos, defende democracia para o Irã e tem sua emissora persa ligada a ele que transmite ao Irã. Em alguns vídeos, manifestantes no Irã entoam seu nome, aumentando o debate sobre sua eventual liderança no futuro político do país.
Analistas e diplomatas lembram que a popularidade de Pahlavi dentro do Irã é difícil de medir. Um diplomata ocidental destacou que seu nome pode ter sido utilizado por manifestantes por falta de outras lideranças reconhecidas no momento.
A posição da MEK é marcada pela desconfiança interna, com muitos dissidentes iranianos rejeitando o grupo por seu histórico de violência. A organização foi banida no Irã e teve atuação conjunta no Iraque durante a guerra Iran-Iraque, gerando memória negativa entre muitos iranianos.
Especialistas ressaltam que não há uma frente única entre oposicionistas, o que complica iniciativas internacionais. A ausência de uma liderança tão difundida dificulta a coordenação entre dissidentes e governos estrangeiros que desejam apoiar uma transição política.
Contexto e leitura externa
A avaliação sobre o impacto real dessas facções dentro do Irã é complexa. Embora haja apoio entre alguns emigrantes, não há evidência clara de que qualquer líder possa mobilizar a maioria nacional para uma mudança ampla no regime.
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