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Presidente de Uganda chama adversários de terroristas em discurso de vitória

Museveni vence com 72% e acusa oposição de terrorismo; internet continua bloqueada e críticas internacionais persistem

A supporter holds up a T-shirt with a picture of Yoweri Museveni in Kampala.
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  • Museveni venceu o sétimo mandato com 72% dos votos, em eleições criticadas por observadores e grupos de direitos devido à repressão à oposição e ao bloqueio de internet.
  • Em discurso de vitória, Museveni chamou a oposição de “terroristas” e afirmou que o NUP tentaria atacar urnas onde perdiam.
  • Oposição, liderada por Bobi Wine (Robert Kyagulanyi), teve paradeiro incerto após dizer ter escapado de uma operação policial em casa; a polícia negou o cerco e jornalistas foram impedidos de chegar ao local.
  • A internet foi bloqueada dias antes da votação; houve restauração parcial de parte do serviço no sábado, mas o governo manteve a proibição de redes sociais.
  • Embora as ruas tenham ficado mais tranquilas no domingo, houve protests esporádicos em Kampala; HRW acusa repressão brutal e há relatos de violência em Butambala, onde a polícia afirma ter ocorrido ataque a centros de tallying.

O presidente de Uganda, Yoweri Museveni, venceu a 7ª reeleição aos 81 anos, após consolidar 72% dos votos, conforme resultados oficiais. A eleição foi marcada por repressão ao oposicionismo e queda de acesso à internet, o que gerou críticas de observadores e grupos de direitos humanos.

Wine, líder da oposição e candidato do National Unity Platform (NUP), ficou com cerca de 25% dos votos. Seu paradeiro permaneceu incerto após ele dizer ter escapado de uma operação policial em sua casa e estar em ocultamento; a polícia negou a operação e dificultou a aproximação de jornalistas.

A vitória foi anunciada no domingo. Museveni afirmou, em discurso, que parte da oposição planejou ataques a seções eleitorais em áreas onde tinham menos votos. O governo manteve a suspensão de redes sociais até novo aviso, apesar de parte do serviço ter sido reativado no sábado.

Observadores e críticas

Observadores africanos e grupos de direitos humanos criticaram a eleição pela repressão contra a oposição e pelo bloqueio de internet. A Missão da União Africana informou relatos de intimidação, prisões e desaparecimentos que abalaram a confiança no pleito.

No dia da votação, houve confrontos esporádicos em Kampala; agências de notícia relataram uso de gás lacrimogêneo. A presença de forças de segurança foi mais intensa na capital, mas diminuiu no domingo, com abertura de comércio e circulação de moradores.

A análise de especialistas aponta que Museveni mantém controle do aparato estatal desde que chegou ao poder, em 1986, o que alimenta dúvidas sobre a competitividade do processo. Entre os opositores, Besigye, que disputou eleições anteriores, permanece envolto em questões judiciais após retorno ao país.

A denúncia de violência no Butambala, centro do país, aparece entre os pontos mais críticos: uma autoridade legislativa afirmou que mortes ocorreram durante ataques a um centro de apuração de votos e a uma delegacia. A versão policial atribui as fatalidades a um ataque planejado pelos apoiadores da NUP.

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