O desespero de uma mãe ao reconhecer o corpo do filho morto durante a repressão aos protestos no Irã virou símbolo do drama vivido por famílias iranianas. Em um relato comovente, ela se despede: “Mobin, meu querido, mamãe está aqui agora… cheguei tarde demais, meu filho… me perdoe”. A cena ocorre em meio à escalada […]
O desespero de uma mãe ao reconhecer o corpo do filho morto durante a repressão aos protestos no Irã virou símbolo do drama vivido por famílias iranianas. Em um relato comovente, ela se despede: “Mobin, meu querido, mamãe está aqui agora… cheguei tarde demais, meu filho… me perdoe”.
A cena ocorre em meio à escalada de violência associada a mais de duas semanas de manifestações antigovernamentais que começaram no fim de dezembro, inicialmente motivadas pela indignação popular com a grave crise econômica. Neste sábado (17), o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, reconheceu publicamente que milhares de iranianos morreram durante os protestos, mas atribuiu as mortes ao presidente dos EUA, Donald Trump, afirmando que ele “incentivou abertamente” os manifestantes ao prometer “apoio militar” dos Estados Unidos.
Khamenei chamou Trump de “criminoso” e disse que Washington deve ser responsabilizado “tanto pelas vítimas quanto pelos danos”. O líder supremo, porém, não mencionou denúncias sobre táticas brutais usadas pelas forças de segurança iranianas para reprimir as manifestações.
Denúncias de repressão e disputa por números

Testemunhas e grupos de direitos humanos relatam que forças governamentais abriram fogo contra manifestantes, inclusive a partir de telhados. A agência HRANA (Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos), sediada nos EUA, afirma que mais de 3 mil pessoas morreram nos protestos.
Autoridades iranianas contestam estimativas nessa ordem. No início da semana, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, rejeitou números na casa dos “milhares” e declarou que o total seria de “centenas”, classificando versões diferentes como parte de uma “campanha de desinformação”.
Troca de acusações com Trump
Após o discurso de Khamenei, Trump reagiu pedindo uma nova liderança no Irã e chamando o aiatolá de “homem doente”, afirmando que ele deveria “parar de matar pessoas”. Em entrevista ao Politico, Trump disse que Khamenei, “como líder de um país”, seria responsável pela destruição do Irã e pelo uso de violência “em níveis nunca antes vistos”.
Durante os protestos, Trump havia incentivado os manifestantes a manterem as mobilizações e a “tomarem o controle” das instituições, dizendo que “a ajuda está a caminho”, segundo o relato citado no texto.
Internet bloqueada e sinais de retorno limitado
Em meio à repressão, o governo iraniano cortou as conexões de internet em 8 de janeiro. No sábado, houve um “ligeiro aumento” na conectividade, segundo a organização de monitoramento NetBlocks, mas o nível geral permaneceu em cerca de 2% do normal, sem indicação de retorno significativo.
A agência semioficial Mehr afirmou que o serviço foi restabelecido para “alguns assinantes” e justificou o bloqueio como resposta a “distúrbios terroristas” e como medida para “garantir a segurança do país e de seus cidadãos”.
“Consequências” para manifestantes
No pronunciamento, Khamenei prometeu punições a quem participou dos “distúrbios”, sem detalhar quais medidas serão adotadas. “Não levaremos o país à guerra, mas não deixaremos impunes os criminosos domésticos e mais importante os criminosos internacionais”, disse.
O líder supremo também reconheceu que a situação econômica do Irã é “verdadeiramente difícil”, pediu união em defesa do sistema islâmico e afirmou que os protestos foram “extintos”, citando atos pró-governo realizados no início da semana.
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