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Ruptura na ordem mundial: impactos e novos cenários

Carney afirma ruptura do sistema internacional e defende autonomia estratégica de potências médias, com coalizões diversas para enfrentar a rivalidade entre grandes potências

Carney stands at a lectern in front of a blue backdrop featuring the World Economic Forum logo.
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  • Carney afirmou que há uma ruptura no ordem mundial, com os Estados Unidos sob o governo de Trump agindo sem limites e com uso de medidas coercitivas.
  • O discurso aponta que a ordem baseada em regras está se esvaindo e que países de menor expressão precisam de autonomia estratégica e realismo baseado em valores.
  • O Canadá está reorientando sua postura, buscando coalizões por assunto, parcerias estratégicas e maior diversificação de parceiros, incluindo acordo com a União Europeia, China e Qatar.
  • Medidas internas do Canadá incluem cortes de impostos, remoção de barreiras ao comércio interprovincial, investimentos em energia, minerais críticos e defesa, além de ampliar laços com a OTAN.
  • O objetivo é substituir o ideal da “ordem baseada em regras” por coalizões densas, com padrões compartilhados, para reduzir vulnerabilidades e preservar soberania em um cenário de rivalidade entre grandes potências.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, proferiu um discurso contundente em Davos, Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial desta semana. Ele criticou a forma como a ordem mundial tem sido marcada pela performance de grandes potências, em especial os Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump, e apontou a necessidade de uma resposta de potências médias.

Carney descreveu uma “ruptura” na ordem mundial, destacando que regras internacionais e alianças históricas perderam força diante de ações unilaterais. Ele afirmou que países de posição intermediária não estão desamparados e podem construir um novo regime baseado em valores como direitos humanos, desenvolvimento sustentável, soberania e integridade territorial.

O premiê ressaltou que a integração econômica tem sido usada como instrumento de coerção, com tarifas, pressões financeiras e cadeias de suprimentos vulneráveis. Segundo ele, o modelo baseado em regras precisa evoluir para evitar uma retração global e fortalecer a autonomia estratégica de países médios.

Carney explicou que o Canadá tem contratado ajustes estratégicos, com foco em diversificação de parcerias e investimentos maciços em setores estratégicos. Ele mencionou acordos e alianças estruturais com a União Europeia, além de tratar de relações com China, Qatar e outras economias, para ampliar a influência sem abrir mão de valores.

Em Davos, o primeiro-ministro apresentou a ideia de “realismo baseado em valores”, defendendo uma atuação ampla e pragmática. Segundo ele, o Canadá quer construir coalizões específicas por tema, em vez de depender de instituições multilaterais tradicionais de forma ingênua.

O discurso enfatizou mudanças recentes na postura canadense: cortes de impostos, facilitação do livre fluxo interprovincial, e planos para ampliar investimentos em energia, IA, minerais críticos e novas rotas comerciais. Também foi destacada a ampliação da defesa nacional e a participação em pactos estratégicos com aliados.

Entre as propostas, Carney destacou apoio à segurança no Ártico, com cooperação com Groenlândia e Dinamarca, e a defesa inabalável do Artigo 5 da OTAN. Ele ainda defendeu a redução de barreiras comerciais e a criação de plataformas plurilaterais para diversificar fornecimento de minerais críticos.

Implicações e próximos passos

O premiê sublinhou a ideia de “entregas por tema” para enfrentar desafios globais, inclusive na relação com a China, com foco em evitar depender de apenas uma grande potência. A meta é reduzir vulnerabilidades nacionais por meio de resiliência econômica, inovação e cooperação entre democracias.

Carney afirmou que o Canadá está pronto para contribuir com uma ordem internacional mais estável, sem abrir mão de suas prioridades. Ele concluiu destacando que a mudança é necessária e que a construção de uma nova arquitetura passa pela força de instituições nacionais robustas e por alianças estratégicas bem definidas.

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