- Isabel Esterman é a editora-gerente da Mongabay para o Sudeste Asiático, com foco em cobertura de longo prazo.
- Trabalha em temas como rinoceronte de Sumatra, acordos de carbono na Malásia e o tráfico de primatas na África, enfatizando colaboração com jornalistas locais.
- A abordagem prolongada já gerou impactos concretos, incluindo revisões de números oficiais de rinocerontes e aprendizados para conflitos de terras ligadas a carbono.
- A liberdade de imprensa restrita e os riscos à segurança moldam a reportagem, exigindo avaliação de risco constante para cobrir as histórias com responsabilidade.
- Defende jornalismo ambiental com freelancers e capacitação local, para ampliar vozes de dentro dos países e manter equilíbrio com jornalistas de fora.
Isabel Esterman atua como editora-geral para o Sudeste Asiático na Mongabay, coordenando a cobertura em uma das regiões mais complexas do ponto de vista ambiental e político. Seu foco é manter um fio condutor de temas críticos ao longo do tempo, como o rinoceronte de Sumatra e negócios de carbono na região.
A jornalista valoriza a colaboração entre gabinetes, especialmente com a Mongabay Indonesia, e destaca o apoio a repórteres freelances e a construção de caminhos de carreira sustentáveis. O objetivo é ampliar a diversidade de vozes que chegam ao público global.
O trabalho de longo prazo e seus impactos
Para Esterman, o impacto não vem de uma notícia isolada, mas de anos de cobertura persistente que mudam a compreensão mundial. Ela cita como exemplo o acompanhamento de espécies ameaçadas e de políticas de carbono, com mudanças graduais na pauta pública.
Essa abordagem já rendeu resultados concretos, como revisões nas estimativas oficiais sobre o rinoceronte de Sumatra e o fortalecimento de debates sobre povos e terras na Malásia, além de ampliar o foco sobre o papel de usos rituais na caça de primatas na África.
Desafios da região e práticas editoriais
Desde 2016 na Mongabay, Esterman atua em meio a pressões contra a liberdade de imprensa e riscos à segurança. Com equipes majoritariamente locais, a avaliação de risco orienta a cobertura de reportagens ambientais com responsabilidade para fontes e comunidades afetadas.
A experiência também reforça a necessidade de empoderar jornalistas locais como parte essencial do jornalismo ambiental. Esterman defende que leitores globais se beneficiam de reportagens produzidas por profissionais da região, incluindo o Sudeste Asiático.
Campos de atuação e lições
Entre os temas destacados, a cobertura de rinocerontes de Sumatra mostrou que números mais realistas ajudam na conservação, abrindo espaço para ações efetivas. O trabalho sobre grandes negócios de terras na Malásia também sinalizou impactos que moldaram debates públicos.
Além disso, Esterman colabora com o Projeto dos Primatas, trazendo à tona a demanda por partes de chimpanzés e gorilas para usos rituais, o que muda a estratégia de conservação ao revelar motivações de caça.
Visão para o futuro e para a África
O trabalho na África, com foco nos primatas, complementa o eixo do Sudeste Asiático. Mesmo fora da área, Esterman mantém vínculos com a região, contribuindo para uma cobertura mais abrangente e conectada.
Ela lembra que muito do que não é publicado fica nos rascunhos, por cautela com conservação, segurança jurídica e proteção de fontes. A editoria continua buscando caminhos responsáveis para ampliar o conhecimento público.
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