- Em Davos, alguns investidores puxam a tendência de reduzir a participação em títulos do governo dos EUA, sinalizando uma possível separação financeira entre Europa e Estados Unidos.
- A ideia de “divórcio financeiro” europeu envolve reduzir a exposição aos Treasuries, com fundos de pensão europeus começando a vender títulos dos EUA; a AkademikerPension da Dinamarca anunciou venda de todas as gilt/treasuries restantes até o fim do mês.
- A saída de investidores eleva gradualmente o custo de financiamento do governo americano e incentiva a criação de um mercado de títulos em euros para rivalizar com os títulos norte-americanos.
- Propostas para eurobonds existem desde Bruegel e mais recentemente ganharam apoio de institutos como o Peterson Institute, defendendo um mercado permanente que possa concorrer com o mercado de dívida dos EUA.
- Países europeus e Londres poderiam cooperar para ampliar mercados de dívida em euros, reduzindo dependência de ativos norte-americanos e minimizando impactos de eventuais sanções financeiras.
A região europeia avalia uma possibilidade de reduzir a dependência de títulos do Tesouro dos EUA, em meio à tensão entre Washington e partes do bloco. Investidores veem sinais de mudança na governança global de finanças desde a crise de 2008, com impactos potenciais sobre o custo de empréstimos do governo americano.
Nesta semana no Davos, hegemônico encontro do WEF, diversificação de carteiras ganha força. Um fundo dinamarquês de aposentadoria anunciou venda total de seus títulos de US$ 100 milhões, como exemplo de maior cautela diante da finança pública dos EUA. Outros fundos seguem movimentos similares.
Ações de grandes reguladores europeus podem facilitar a redução de holdings. Especialistas apontam que menos dependência de crédito norte-americano pode reduzir exposição a riscos de mercado, sem necessariamente implicar ruptura imediata com o dólar ou com o sistema atual.
Novo cenário de finanças públicas
Analistas destacam que a retirada gradual de títulos americanos pela Europa abriria espaço para alternativas em euros. A ideia é criar um mercado de eurotítulos que substitua, ao menos parcialmente, a demanda por dívida dos EUA. Em paralelo, mudanças de composição de carteiras podem exigir ajustes de rating e liquidez.
A proposta, com raízes em Bruegel e atualizações recentes, sugere a viabilização de eurobonds permanentes. A iniciativa poderia, segundo os especialistas, atrair capital global em busca de segurança relativa, deslocando parte da demanda do Tesouro norte-americano.
Há também a perspectiva de um arranjo inicial com uma coalizão de países dispostos a avançar sem a unanimidade total. Londres, com sua ampla liquidez, poderia desempenhar papel central ao abrigar parte do mercado em títulos denominados em euros, ainda que envolva negociações entre várias capitais europeias.
Implicações e próximos passos
Observa-se que, se menos dinheiro fluir para os títulos norte-americanos, o custo de concessão de crédito pelo governo dos EUA pode subir gradualmente. Reguladores europeus estariam atentos a impactos para fundos de pensão, que costumam depender de ratings e de liquidez para manter seus portfólios estáveis.
Enquanto o debate avança, a atenção se volta para a viabilidade de um mercado europeu robusto de dívida pública em euros. A expectativa é de que iniciativas mais restritas se consolidem em passos práticos, antes de qualquer acordo abrangente entre todos os 28 Estados-membros.
Entre na conversa da comunidade