- A administração dos Estados Unidos segue envolvida nas negociações para um cessar-fogo na Ucrânia, com o terreno mais difícil sendo concessões territoriais.
- Há um hiato entre o plano de 28 pontos pró-Rússia, que reconhece áreas controladas pela Rússia, e a contraproposta apoiada por Ucrânia, Estados Unidos e Europa, que rejeita ganhos russos como legais.
- O analista Edward P. Joseph propõe adaptar o modelo de Kosovo, com base na Resolução 1244 do Conselho de Segurança da ONU, criando uma administração internacional e zonas de segurança que adiam a solução de soberania.
- A ideia incluiria uma força de paz internacional no Donbas ocidental, com a Rússia mantendo suas posições atuais e referendos futuros decidindo a soberania de leste da Ucrânia e da Crimeia.
- Opiniões divergem: alguns especialistas argumentam que plebiscitos seriam contestáveis e politicamente problemáticos, enquanto outros veem a proposta como caminho para um cessar-fogo, mesmo que envolva concessões para a Ucrânia.
O debate sobre a paz na Ucrânia ganhou um ingrediente inesperado: o modelo de Kosovo. A ideia surge como resposta às difíceis negociações com a Rússia após quase um ano de tentativas de cessar-fogo. A proposta envolve uma estrutura de governança entre as partes com participação internacional para conter o conflito.
Segundo o texto, o abismo entre o plano original de 28 pontos, favorável a reconhecer integralmente territórios sob domínio russo, e a contraproposta de 20 pontos, que não reconhece ganhos russos e prevê zonas desmilitarizadas, continua aberto. Diplomatas não chegaram a um acordo viável até o momento.
Edward P. Joseph, analista de assuntos internacionais e ex-negociador dos Bálcãs, propõe adaptar o modelo de Kosovo ao leste da Ucrânia. Em artigo recente, ele sugere uma resolução do Conselho de Segurança da ONU (Resolução 1244, de 1999) como molde para eventual cessar-fogo, com uma força de paz internacional em áreas de Donbas sob controle de Donetsk.
A proposta, segundo o autor, envolveria forças sob mandato internacional substituindo parcialmente as tropas ucranianas nas linhas de contato no oeste do Donbas, mantendo tropas russas onde estão. A soberania seria adiada até referendos na região leste da Ucrânia e na Crimeia, para definir a pertença territorial.
Opiniões favoráveis e críticas vêm de especialistas. Há quem ressalte que a Kosovo poderia oferecer garantia de segurança e um espaço de manobra para a população local retornar a áreas seguradas. Por outro lado, críticos lembram que Kosovo envolveu conflitos étnicos diferentes de uma ocupação externa, e questionam a viabilidade de referendos em contextos de deslocamento massivo.
Entre os especialistas ouvidos, há quem defenda maior pressão sobre a Rússia e o envio de mais armamentos para congelar a frente, sem ceder territórios estratégicos. Outros destacam que o status de membro permanente russo no Conselho de Segurança da ONU complica qualquer processo mediado por organismos internacionais.
Ainda que alguns analistas achem a solução inspiradora, muitos apontam entraves práticos. A democracia ucraniana, a legitimidade de plebiscitos em território ocupado e o tratamento das populações deslocadas aparecem como obstáculos centrais. A necessidade de garantias militares credíveis também é enfatizada.
A discussão não tem apoio unânime dentro da Ucrânia. Alguns especialistas e cidadãos veem a comparação com Kosovo como inadequada, citando diferenças históricas e geopolíticas. Mesmo assim, a ideia de buscar caminhos de negociação com participação internacional continua em pauta entre Washington, Bruxelas e aliados.
O cenário atual mostra que, embora a paz permaneça incerta, a cooperação entre Estados Unidos e Europa pode ser parte da busca por um cessar-fogo. Kyiv está disposto a considerar opções que diminuam o sofrimento humano, desde que haja salvaguardas para a soberania do país.
Entre na conversa da comunidade