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Arábia Saudita deve pagar £3 milhões a dissidente de Londres por Pegasus

Tribunal do Reino Unido condena Arábia Saudita a pagar mais de £3 milhões a dissidente londrino por invasão de privacidade com Pegasus e agressão física

The satirist Ghanem al-Masarir at a protest outside the Saudi Arabian embassy in west London in 2018, calling for justice for Jamal Khashoggi.
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  • A High Court de Londres ordenou à Arábia Saudita pagar mais de £ 3 milhões a Ghanem al-Masarir, dissidente com base na capital britânica, por invasão de privacidade e ataque físico feito contra ele.
  • O tribunal concluiu que os iPhones de al-Masarir foram hackeados com o spyware Pegasus, gerando exfiltração de dados, com direção ou autorização do reino ou de agentes atuando em seu nome.
  • Também houve veredito, por balance of probabilities, de que a Arábia Saudita foi responsável pelo ataque físico ocorrido em 2018, fora da loja Harrods, em Londres.
  • O juiz destacou que o reino tinha interesse claro em silenciar o crítico público, conhecido por canais no YouTube com centenas de milhões de visualizações.
  • Al-Masarir continua enfrentando depressão grave e dificuldades de saúde mental e de trabalho, sete anos após ter sido alvo do spyware.

O Tribunal Superior de Justiça de Londres determinou que a Arábia Saudita pague mais de £3 milhões em danos a Ghanem al-Masarir, dissidente residente em Londres, cuja linha telefônica foi alvo do spyware Pegasus. A decisão, proferida pelo juiz Pushpinder Saini, envolve também um ataque físico contra o jornalista próximo ao Harrods, no centro da capital britânica.

O juiz indicou, com base na evidência apresentada, que os iPhones de al-Masarir foram hackeados pelo Pegasus, permitindo a exfiltração de dados, e que a conduta foi dirigida ou autorizada pelo governo saudita ou por agentes a seu serviço. Também ficou estabelecido, na maioria das probabilidades, que o país esteve por trás do ataque físico de 2018.

Contexto legal e motivações

Al-Masarir, de 45 anos, é conhecido por vídeos satíricos que somam mais de 300 milhões de visualizações no YouTube. A corte apontou que o Reino sabia que o dissidente criticava publicamente o governo e, por isso, houve interesse claro em silenciá-lo. O caso, iniciado em 2019, já tramita desde então sem participação ativa da defesa saudita após rejeição de imunidade soberana em fases anteriores.

Desdobramentos e impactos

A decisão marca um revés significativo para a Arábia Saudita em litígios internacionais. A defesa do dissidente, representada pelo escritório Leigh Day, destacou o caráter invasivo das ações e o impacto duradouro na saúde mental de al-Masarir, que sofre depressão grave e tem limitações em atividades diárias. Organizações de pesquisa e direitos digitais saudaram a sentença como um precedente de responsabilização estatal.

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