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Comediante russo é condenado a quase seis anos de prisão por piada

Rússia condena comediante Artemy Ostanin a cinco anos e nove meses de prisão e multa de 300 mil rublos por piada sobre soldado ferido na invasão à Ucrânia

O ditador da Rússia, Vladimir Putin. (Foto: Sergei Ilnitsky/EFE/EPA)
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  • O tribunal de Moscou condenou o comediante Artemy Ostanin a cinco anos e nove meses de prisão em regime comum.
  • Ele foi considerado culpado de incitação ao ódio e de ofensa a sentimentos religiosos por uma piada envolvendo um soldado russo ferido na invasão à Ucrânia.
  • Além da pena, Ostanin foi multado em cerca de 300 mil rublos.
  • O comediante negou que a piada tivesse como alvo veteranos da chamada “operação militar especial” e afirmou, em sua declaração final, esperar que ninguém passe pela mesma situação.
  • A condenação ocorre em meio ao endurecimento das leis russas contra críticas à invasão da Ucrânia, com leis promulgadas desde 2022 para punir conteúdo considerado ofensivo às Forças Armadas ou contrário à narrativa oficial.

O comediante Artemy Ostanin foi condenado pela Justiça da Rússia a cinco anos e nove meses de prisão em regime de colônia penal comum. Ele foi considerado culpado por incitação ao ódio e ofensa a sentimentos religiosos devido a uma piada sobre um soldado russo ferido durante a invasão da Ucrânia.

A decisão foi proferida por um tribunal de Moscou nesta quarta-feira (4). A sentença inclui ainda uma multa de aproximadamente 300 mil rublos, equivalente a cerca de 3,9 mil dólares, segundo a cotação atual. A circulação do vídeo nas redes sociais e em veículos pró-Kremlin motivou denúncias de nacionalistas e blogueiros.

Ostanin, de 29 anos, nega que a piada tivesse dirigido-se a veteranos da chamada operação militar especial. Em sua defesa, ele afirmou à Justiça que não houve alvo específico contra militares feridos, e manifestou a esperança de que nenhum outro seja submetido ao que chamou de abuso legal.

A condenação ocorre em meio ao endurecimento das leis russas que tratam críticas à invasão da Ucrânia como ofensas. Desde 2022, o governo de Vladimir Putin aprovou leis que criminalizam manifestações consideradas ofensivas às Forças Armadas ou contrárias à narrativa oficial do conflito.

Especialistas citados por veículos internacionais destacam que a legislação tem gerado prisões e sentenças severas contra artistas, jornalistas e ativistas. O caso de Ostanin é visto como exemplo dessa tendência de repressão a críticas públicas.

A imprensa internacional aponta que a Rússia mantém um ambiente jurídico mais restritivo para temas ligados à Ucrânia, com uso frequente de acusações de extremismo e difamação para silenciar críticas. O desfecho do caso ainda deve ser monitorado por grupos de direitos humanos.

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