- Representantes do Irã e dos Estados Unidos vão se reunir em Omã nesta sexta-feira para retomar o diálogo, as primeiras negociações desde os ataques dos EUA contra centrais nucleares iranianas em junho.
- O encontro será conduzido pelo enviado americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e pelo chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, com Omã atuando como mediador.
- O Irã quer manter as conversas apenas sobre o programa nuclear; os Estados Unidos devem levantar questões de segurança regional e avisam que manterão a ameaça militar caso não haja avanço diplomático.
- Washington enviou sinais de endurecimento, incluindo a presença de uma frota no Golfo; Teerã afirmou que pode atacar bases americanas na região em caso de ofensiva.
- O Irã busca suspensão de sanções, rejeita negociações sobre balísticos ou apoio a grupos hostis a Israel; os EUA indicaram, segundo reportagens, ter aceitado excluir atores regionais das conversas.
Nesta sexta-feira, representantes do Irã e dos Estados Unidos se reúnem em Omã, na tentativa de retomar o diálogo diante das crescentes tensões na região. O encontro acontece após uma onda de ameaças militares entre os dois países e será a primeira rodada de negociações desde ataques americanos a centrais nucleares iranianas em junho.
O Irã deve focar exclusivamente no programa nuclear, enquanto Washington sinaliza que questões de segurança regional também poderão entrar na pauta. O governo americano já indicou que manterá a pressão militar caso não haja progressos diplomáticos.
As negociações foram confirmadas na quarta-feira e serão conduzidas pelo enviado dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e pelo chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, atuando como mediador. Teerã disse esperar negociações sérias com os enviados norte-americanos.
Donald Trump comentou publicamente que as negociações estão em curso e que os EUA não desejam atacá-los, ao menos na sua leitura. O Pentágono já deslocou a frota para o Golfo, incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln, em janeiro, ampliando a presença militar na região.
Teerã reagiu às ameaças ao afirmar que poderia atacar bases americanas na região, caso haja uma ofensiva. O porta-voz do Exército iraniano afirmou que o Irã está pronto para se defender e que tem acesso facilitado às bases no Golfo.
O ex-ministro Ali Akbar Velayati reforçou que o Irã está preparado para enfrentar qualquer ameaça, segundo a agência Isna. A postura iraniana é de que o diálogo deve tratar apenas do programa nuclear, buscando suspensão de sanções econômicas internacionais.
Foco no programa nuclear?
As conversas ocorrem em meio à repressão ao movimento de contestação no Irã, iniciada em janeiro, e à sequência de trocas de ameaças entre Washington e Teerã. Enquanto os EUA enfatizam o controle do programa, Teerã sustenta que o objetivo é científico, não militar.
O vice-presidente americano, JD Vance, disse que o foco é impedir que o Irã obtenha a arma nuclear, mas reconheceu dificuldades de manter a diplomacia com o regime iraniano, citando o líder supremo como obstáculo à comunicação direta.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, pediu negociações reais com Teerã para evitar escalada militar, em visita aos países do Golfo. Teerã reiterou que não discutirá seu programa balístico nem apoio a grupos considerados hostis a Israel.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que avanços dependem também de questões como mísseis balísticos, apoio a organizações extremistas e tratamento da população iraniana. A imprensa norte-americana aponta que Washington pode ter excluído atores regionais das conversas, a pedido de Teerã.
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