- O primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis diz que não desistiu da relação transatlântica e que a parceria com os EUA continua útil, apesar de tensões e mudanças na dinâmica de poder.
- Mitsotakis defende aumento da presença europeia em defesa e autonomia estratégica, ressaltando que a Grécia já gasta mais de 3% do PIB em defesa e que a UE precisa fortalecer sua própria arquitetura de segurança.
- O premiê destaca a importância do direito internacional, mas reconhece que relações internacionais se tornaram mais transacionais, mantendo, ao mesmo tempo, uma parceria privilegiada com os Estados Unidos.
- Em relação a migrantes e política migratória, ele afirma ser “duro com a migração ilegal” e defender vias legais de imigração, com foco em proteger fronteiras e promover integração.
- Sobre questões regionais e internacionais, Mitsotakis comenta a situação com a Turquia, a tragédia de migrantes no Mar Egeu e a posição da Grécia sobre a criação de um Board of Peace para Gaza, defendendo participação criteriosa e com salvaguardas.
A edição de FP Live traz Kyriakos Mitsotakis, primeiro-ministro da Grécia, em entrevista sobre a relação transatlântica, autonomia estratégica e os desafios de segurança. O premiê defende maior participação europeia em defesa, mantendo, porém, laços com os EUA. A conversa ocorreu em meio a tensões na Otan e a questões regionais, como a fronteira sul e as recentes tragédias com migrantes.
Mitsotakis afirma que a Grécia já investe mais de 3% do PIB em defesa, acima de muitos países da Europa, em razão de riscos com a Turquia e da importância geoestratégica do país no comércio global. Ele destaca a necessidade de uma arquitetura europeia de defesa independente de Washington.
O premiê também enfatiza que a Grécia recebe suporte estratégico dos EUA, e que reforçar esse elo continua sendo essencial para a estabilidade regional. A declaração reforça a posição de que a ordem pós–Segunda Guerra Mundial ainda tem relevância, mesmo diante de mudanças no cenário global.
O tema Greenland é citado como exemplo de limites de cooperação internacional. Segundo Mitsotakis, leis internacionais seguem sendo base para a Grécia, que participa ativamente de estruturas como o Conselho de Segurança da ONU, mas reconhece a necessidade de fortalecer defesas próprias.
Sobre autonomia estratégica, o premiê aponta que o movimento rumo a mais gastos europeus com defesa depende de crescimento econômico. Ele cita a recuperação grega e a importância de financiar a defesa com recursos públicos, privativos e, se possível, com investimentos privados.
Mitsotakis sugere instrumentos europeus para financiar defesa, como um fundo comum, inspirado por projetos de interesse europeu. Ele defende ainda maior uso de recursos da União para criar capacidades compartilhadas, sem abandonar a militarização nacional tradicional de cada Estado.
Em relação à postura com a Turquia, o premiê informa que estará em Ancara com uma delegação para manter um canal de diálogo e reduzir tensões. As disputas sobre delimitação de zonas marítimas são mencionadas como desafio antigo, mas com avanços em outras frentes.
Sobre a tragédia no Mar Egeu, com 15 migrantes mortos, Mitsotakis afirma que uma investigação completa é necessária. Ele aponta que a operação recente envolveu ações entre Guarda Costeira e embarcações menores, e ressalta a importância de salvar vidas durante operações de fronteira.
O ministro também aborda políticas migratórias. Destaca abordagem de tolerância zero para migração irregular, aliada a vias legais de entrada. Ele cita melhoria no emprego como resultado de reformas e destaca que a Grécia busca equilibrar acolhimento com controle de fronteiras.
No âmbito do Oriente Médio, Mitsotakis comenta a rejeição europeia a participar de um Conselho de Paz para Gaza proposto pelos EUA, defendendo uma participação condicionada, voltada apenas para Gaza e sob resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU.
Por fim, o primeiro-ministro ressalta que a Grécia manterá postura diplomática firme com os EUA, buscando acordos que atendam a interesses de ambas as partes e de toda a Europa. A cooperação energética, com foco em gás natural liquefeito americano, é citada como exemplo de relação win-win.
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