- O Washington Post demitiu cerca de um terço da equipe, ou mais de 300 jornalistas, nesta semana.
- O corte levou ao fechamento do departamento de esportes e à redução de equipes que cobriam notícias locais, mundo, estilo e áudio e vídeo.
- O veterano repórter Bob Woodward disse estar “arrasado” com as demissões e afirmou que os leitores merecem mais.
- Ele ressaltou que continuará trabalhando para que o Post prospere e permaneça relevante.
- o contexto inclui mudanças na relação do grupo com Jeff Bezos, dono do jornal, que revisou a linha editorial e o endosso presidencial em 2024.
O Washington Post informou grande queda no quadro de funcionários, com mais de 300 demissões anunciadas na última quarta-feira. A redução atingiu áreas como esportes, notícias locais, estilo e produção de áudio e vídeo. A medida também envolveu cortes na estrutura comercial.
Bob Woodward, veterano repórter do jornal, afirmou estar devastado com o efeito sobre colegas e leitores. Em comunicado divulgado na rede social X, ele ressaltou que o público merece mais e que fará o que for possível para a viabilidade do veículo.
O repórter, que ficou marcado pelo caso Watergate ao lado de Carl Bernstein, mantém hoje título honorário de editor associado. Sua reação vem após o veículo confirmar a demissão de parte de sua redação, em meio a ajustes amplos na empresa.
O Washington Post sofreu o fechamento de departamentos e a extinção de equipes que cobriam esporte, mundo, tecnologia e regional. As demissões também atingiram unidades de áudio e vídeo, já cansadas de cortes anteriores.
Fontes próximas ao jornal indicam que a perda de leitores e assinantes pode se intensificar diante do retrato de menor cobertura e análise. Um ex-editor informou ao Guardian que as aspirações da organização ficaram mais contidas.
Em 2024, o jornal perdeu centenas de milhares de assinantes após o anúncio adiantado de que Jeff Bezos não endossaria Kamala Harris para a presidência. Na época, houve mudanças também na linha de opinião para priorizar liberdades e livre mercado.
Woodward e Bernstein criticaram a decisão de Bezos de interromper o endorsement presidencial, destacando que a medida contrariou o histórico de cobertura do Washington Post sobre riscos à democracia.
O próprio Woodward, em entrevista recente, afirmou que o Post continua a realizar reportagens importantes sobre a crise política ligada ao ex-presidente Donald Trump, mesmo diante dos cortes.
A aquisição do jornal por Bezos ocorreu em 2013. Na época, Woodward questionou o impulso de ampliar o financiamento para manter o negócio em funcionamento, reconhecendo o dilema entre rentabilidade e relevância.
Em paralelo aos acontecimentos no jornal, a Amazon informou, um dia após a divulgação das demissões, planos de investir cerca de US$ 200 bilhões em inteligência artificial e robótica no próximo ano. O anúncio acena para o setor tech vinculado ao grupo.
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