- Líderes europeos discutem a possibilidade de diálogo direto com Vladimir Putin, em meio à tarefa de reduzir a dependência dos Estados Unidos em questões de segurança.
- Em Davos, França e Itália sinalizaram que a Europa pode precisar negociar com a Rússia se as negociações lideradas pelos EUA não avançarem.
- A Casa Branca lançou um plano de paz de 28 pontos para a guerra, o que levou a Europa a considerar um “Plano B” e manter aberta a possibilidade de tratar com a Rússia.
- As sanções da União Europeia, somadas a ativos russos congelados, dão aos europeus alavancagem para um acordo gradual, mas muitos negócios europeus continuaram operando na Rússia.
- Mesmo com a invasão à Ucrânia, empresas europeias permaneceram no país por questões contratuais, legais e de lucros, mantendo ligações econômicas com a Rússia.
Europe se aproxima de um giro estratégico diante de pressões dos EUA sobre Ucrânia. Em Davos, líderes europeus reconheceram a necessidade de discutir com Moscou caso as negociações lideradas pelos EUA não avancem.
O debate ganhou força após a reunião em Davos, quando autoridades europeias sinalizaram disponibilidade para um canal direto com Vladimir Putin. Macron e Meloni defenderam falar com a Rússia para reduzir a dependência de Washington em segurança.
Costa, presidente do Conselho Europeu, afirmou em 27 de janeiro a jornalistas que a Europa pode negociar com a Rússia se necessário, sem comprometer o diálogo com os EUA. A posição visa evitar atraso nas negociações.
Mudança de estratégia na prática
Macron pediu “o enquadramento certo” para dialogar com a Rússia, em dezembro, destacando que a mediação europeia não deve ficar apenas do lado dos Estados Unidos.
Meloni afirmou que chegou a hora de falar com Putin, ressaltando que falar com apenas uma das partes limita a contribuição europeia para a paz.
O debate ocorre em meio a proposta de paz de Trump, que incluiria reativar laços econômicos com a Rússia. Economistas e diplomatas veem potencial para uso de ativos congelados como instrumento de negociação.
Quais são os interesses da UE
Analistas destacam que a UE pode usar sanções, ativos russos congelados e o comércio como alavancas, buscando um arranjo gradual e condicionado a comportamento de Moscou.
Empresas europeias já mantêm relação econômica com a Rússia desde a invasão, por motivos contratuais, legais e de cadeia de suprimentos. O ritmo das sanções tem sido gradual e por vezes dividido entre Estados-membros.
Dados de organização de Leave Russia indicam que mais de 2,3 mil companhias permaneceram na Rússia em alguma forma, enquanto 547 encerraram atividades. Alemanha lidera entre os EUA com presença empresarial contínua, seguida por França e Itália.
O causa de continuidade comercial é apresentada como continuidade econômica e complexidade regulatória, segundo especialistas ouvidos pela reportagem. A abstinência total foi considerada impraticável por muitos.
Desafios e limitações da estratégia
Observa-se uma pressão europeia para não isolar a Rússia por completo, buscando manter algum espaço de manobra político-econômico. A ideia é evitar um choque total que prejudique empregos e fornecimento de energia.
A União Europeia enfrenta dilemas com relação a empresas e setores estratégicos, como energia e siderurgia, onde sanções parciais e exceções são comuns. A avaliação é de que o impacto econômico molda decisões políticas.
O papel da energia domina o debate: gás e petróleo russos ainda aparecem na pauta, com participação de LNG, além de fertilizantes e aço. A dependência energética complica sanções universalmente abrangentes.
Perspectivas para o futuro
Analistas sugerem que o processo de negociação pode evoluir para um equilíbrio entre pressão e engajamento. A União Europeia busca condições que permitam uma retomada gradual de relações, sem abrir mão de sanções relevantes.
Fontes próximas ao tema destacam que a UE continua a avaliar impactos internos de qualquer flexibilização. A cooperação entre Estados-membros permanece crucial para definir a linha de sanções e possíveis ajustes.
Em suma, a Europa enfrenta um dilema entre manter pressão sancionatória e explorar vias de diálogo com a Rússia, caso o quadro atual não gere avanços suficientes para a paz na região.
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