- Navio-foguete privado de Gil Dezer, doou doador de Trump, foi contratado pela Immigration and Customs Enforcement (ICE) para duas viagens que levaram detidos dos EUA até Israel, com escalas para reabastecimento no Shannon, no oeste da Irlanda.
- As autoridades irlandesas disseram que as paradas em território irlandês foram para “propósitos não relacionados ao tráfego” e que não houve embarque ou desembarque de passageiros, não exigindo aprovação prévia.
- Politicadores irlandeses criticaram a prática, chamando-a de repreensível e pedindo intervenção do governo para encerrar as paradas em Shannon.
- A aeronave de Dezer foi fretada via Journey Aviation; a empresa se recusou a comentar as operações, enquanto organizações de direitos humanos rastreiam voos de deportação.
- Segundo a Human Rights First, o jato já voou anteriormente para outros destinos; estimativas apontam custo entre quatrocentos mil e meio milhão de dólares para a ICE.
Os voos de immigrantes deportados dos Estados Unidos para Israel, operados por uma aeronave particular de propriedade de um financiador de Donald Trump, passaram pelo Shannon Airport, na Irlanda, em dois trechos distintos. As operações foram realizadas pela ICE, com o jato fretado pela Journey Aviation.
O jato, ligado ao empresário Gil Dezer, dono de empresas imobiliárias associadas a projetos com a marca Trump, foi utilizado para transportar detidos a Israel, em viagens iniciadas em 21 de janeiro e 1º de fevereiro. As aeronaves realizaram reabastecimento em Shannon, no condado de Clare, no oeste da Irlanda.
Segundo investigações, alguns tripulantes e passageiros permaneceram com pulsos e tornozelos algemados durante o trajeto. Ao chegar a Tel Aviv, os detidos teriam sido encaminhados para a Cisjordânia ocupada, conforme apuração. A defesa de direitos humanos questiona os impactos civis dessas operações.
Reações políticas
O governo irlandês informou que as escalas em Shannon ocorreram apenas para fins não relacionados ao tráfego de passageiros, sem embarques ou desembarques, e não exigiam aprovação prévia do departamento de transportes. Parlamentares de oposição manifestaram preocupação com o uso do aeroporto.
Duncan Smith, portavoz de assuntos externos do Labour na Irlanda, classificou as escalas como repreensíveis e pediu atuação do primeiro ministro e do ministro dos Transportes para encerrar o uso de Shannon. O líder do Green Party, Roderic O’Gorman, disse que é perturbador que Shannon facilite ações associadas ao ICE.
Patricia Stephenson, porta-voz externa dos Social Democrats, pediu uma posição oficial do governo sobre eventual colaboração consciente nessas operações e citou possíveis violações de direitos humanos dos passageiros. As informações foram divulgadas ao Irish Times.
A Journey Aviation, empresa da Flórida que fornece aeronaves para autoridades americanas, foi a responsável pela cessão da aeronave, que não comentou o caso. A defesa de Dezer informou que não tinha conhecimento dos nomes dos passageiros nem do objetivo das viagens.
Contexto e desdobramentos
Organizações que monitoram deportações, como a Human Rights First, apontaram que o jato de Dezer já foi utilizado em outras operações, incluindo deslocamentos para África e outras regiões. O custo estimado das operações para o ICE ficou entre 400 mil e 500 mil dólares, segundo fontes da indústria aeronáutica.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA não respondeu a perguntas sobre as deportações para Israel, limitando-se a afirmar, de modo geral, que a remoção ocorre quando o Judiciário determina que o detido não tem direito de permanecer no país.
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