- Irã prendeu figuras reformistas próximas ao presidente Masoud Pezeshkian, incluindo Azar Mansouri, secretária-geral do Partido do Povo Iraniano, e outros dirigentes da Reformists Front.
- As detenções ocorrem em meio a críticas à condução do governo frente aos protestos recentes; outros dois líderes foram mandados às delegacias e mais pessoas da frente foram chamadas para atender a depoimento.
- O Ministério Público afirmou que os presos tentaram justificar ações de “infantaria de terror” e teriam agido em parceria com os Estados Unidos e Israel, enquanto o Judiciário justificou a repressão dizendo que opositores colaboram com o regime sionista e com a América.
- Mansouri, que já havia rejeitado intervenções externas, havia condenado as mortes dos manifestantes e afirmou que não há justificativa para a violência, mantendo posição crítica ao governo.
- Em paralelo, quatro defensores de direitos humanos ligados à oposição foram presos por assinar um manifesto que pede um referendo livre; Narges Mohammadi recebeu nova sentença de sete anos de prisão.
O grupo Reformists Front, que ajudou a eleger o presidente Masoud Pezeshkian, confirmou a detenção de Azar Mansouri pela Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC). A ação amplia tensões sobre a repressão aos protestos recentes no país.
Maiores autoridades do movimento foram alvo de repressão. Ebrahim Asgharzadeh, chefe da comissão política, e Mohsen Aminzadeh, ex-deputado de Ahmad Khatami, também foram detidos, segundo informações não oficiais. Os casos apontam para um interrogatório generalizado de reformistas fora do governo.
Diversas figuras da Reformists Front estão sendo convocadas a se apresentar a delegacias nesta semana, segundo relatos que indicam intenção de frear críticas ao modo como as forças de segurança lidam com as manifestações. O número de detidos não é confirmado oficialmente.
Contexto e acusações oficiais
O Ministério Público de Teerã acusou os presos de tentar justificar “as ações dos infantry de terror” e disse que atuavam em aliança com EUA e Israel. Também os acusou de atentar contra a unidade nacional, defender a rendição e criar mecanismos subversivos.
O chefe da justiça, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, afirmou que quem faz críticas internas ao regime está em acordo com o regime sionista e com a América, e classificou esses indivíduos como “miseráveis” que teriam prejuízos.
Entre os detidos de hoje, há também defensores de direitos humanos que assinaram um manifesto pedindo referendum justo e transparente para estabelecer governo democrático. Três signatários já haviam sido presos, com apontamentos sobre o quarto-signatário.
Progresso das medidas e cenário de protestos
O governo mantém a contagem oficial de mortos em 3 mil, mas há nomes que contestam esse número. Em paralelo, outras ações judiciais envolvendo diferentes defensores de direitos humanos já foram anunciadas, aumentando a pressão sobre o movimento reformista.
Pezeshkian, que abriu uma comissão de apuração sobre os protestos, aparece em meio a críticas por não ter peso suficiente para frear o aparato de segurança. Ele, porém, não comentará publicamente sobre as prisões de seus apoiadores.
Outros desdobramentos
Ontem, Narges Mohammadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, recebeu uma nova sentença de sete anos de prisão, com traslado a hospitalizações e retorno à prisão durante o tratamento. A defensora tem enfrentado longos períodos de detenção e restrições de comunicação.
A situação ocorre em meio a negociações internacionais sobre o programa nuclear do Irã, com declarações de líderes regionais e um recente reinício de conversações mediadas por omã, cujos pormenores permanecem voláteis e de alto interesse estratégico.
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